Viveram unidos pela mesma placenta na barriga da mãe Gisele Martins, 27. Com vidas semelhantes, padeciam das mesmas dificuldades e benefícios, se é que existia este último. Após o parto, os destinos foram traçados e, apesar da forte semelhança, Evandro Rogério Martins não suportou os problemas que enfrentava pela lei da sobrevivência.
Na manhã de ontem (16), foi autorizada a liberação do corpo do bebê morto, em virtude dos maus-tratos. O irmão gêmeo, também vítima, permanece na luta pela vida e continua internado na Santa Casa. Após idas e vindas, enfim, na manhã de ontem, foi dada a autorização para a liberação do corpo do bebê, de sete meses. O tio da criança, Cosme Conceição Moraes, passou por alguns obstáculos até a liberação. A largada foi dada desde quando, pela primeira vez, foi até o Instituto Médico Legal (IML), para saber a respeito do procedimento.
A liberação estava autorizada desde a tarde de segunda-feira, mas o tio não estava em poder da certidão de nascimento da criança. Somente na manhã de ontem, ele conseguiu o documento, que estava com a mãe dos bebês, no Centro de Recuperação Feminino (CRF).
Já com o documento, ele se dirigiu até o IML, mas se deparou com mais um empecilho: precisava de mais uma pessoa para testemunhar a liberação. Nisso, Cosme foi buscar dona Maria Rodrigues, a vizinha das crianças, ela acompanhou o caso desde o início.
Com a presença da testemunha no IML, às 11h, a liberação foi autorizada, mas de fato o tio não saiu com o corpo do bebê nesse horário, pois ele foi providenciar o serviço de funerária. O corpo da criança saiu do IML horas depois e foi direto para o Cemitério do Tapanã, onde foi enterrado com a presença do tio, de dona Maria, de mais duas pessoas conhecidas da família e de alguns profissionais da imprensa. (Diário do Pará)
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