Desoladas, sogra e nora tentavam se conformar com a perda do pedreiro Raimundo Carlos da Silva Martins, 38 anos, que foi mais uma vítima da violência no município de Marituba. O velório, que aconteceu na casa da cunhada da vítima, reuniu amigos, familiares e colegas de trabalho.
Raimundo e seus familiares estavam prestes a realizar um passeio para o interior do Pará, quando foram abordados por dois homens que chegaram em uma moto. Ele e a mulher, Maria de Jesus, 43 anos, estavam dentro da van esperando mais um integrante do grupo que iria viajar.
“Um entrou por trás e o outro pela frente. Um deles até pegou na minha mão e eu puxei. Foi aí que o homem perguntou para o meu marido se ele era da polícia e, apesar dele ter negado, mandaram ele descer da van. Depois só ouvi os disparos”, contou a viúva.
O fato aconteceu por volta das 6h, na rua Paulo VI, no bairro São Francisco, em Marituba. A mãe do pedreiro, Maria de Nazaré Felipe, não se conformava com a perda do filho e, chorando, lamentava a morte. “É uma situação muito difícil a qual estamos passando. Se a polícia prender, agradecemos, mas eu espero que seja feita a justiça de Deus”, falou a idosa.
Raimundo trabalhava há um ano e meio em uma obra na avenida Conselheiro Furtado. Em sinal de protesto e pelo luto ao amigo, as obras na construção foram paralisadas. “Nós só ficamos sabendo hoje do que tinha acontecido. E foi uma grande perda. Ele era muito querido por todos. Um trabalhador exemplar”, comentou o colega de trabalho, Luiz Carlos Santos, que não foi trabalhar para acompanhar o velório. A polícia de Marituba continua investigando o caso à procura dos suspeitos.
O clima era de revolta e muita tristeza ontem, por volta das 15h, num cemitério em Marituba. Com rostos molhados pela chuva e por lágrimas, familiares e conhecidos se despediram pela última vez do pedreiro Raimundo Carlos da Silva Martins, 38, assassinado brutalmente no último domingo.
“Lá vai o nosso companheiro”, lamentavam os amigos, quando foram jogadas em cima do caixão as primeiras pás de terra. Alguns ainda pegavam um punhado e atiravam sobre o caixão. À beira do buraco onde o corpo de Raimundo estava sendo enterrado, esposa e irmãs se desesperavam.
A irmã caçula de Raimundo, Lene Silva Martins, desmaiou após o enterro. A equipe de reportagem do DIÁRIO, presente no local, foi quem a levou para o Hospital de Urgência e Emergência de Marituba. No caminho, duas vizinhas que acompanhavam Lene vinham lamentando pelo estado no qual se encontra o município de Marituba. “Só nos últimos dias, já vi três famílias sofrendo a perda de um membro”, reclamou Maria de Lourdes.
Após receber atendimento, Lene voltou para casa, tentando lidar com a dor de perder o irmão e não saber ao menos se haverá justiça no caso.
DESESPERO DA FAMÍLIA
Não bastasse a situação já trágica que a família Silva Martins enfrenta no caso do pedreiro Raimundo, o irmão dele, o açougueiro José dos Santos Martins, 30, perdeu o filho e a esposa na hora do parto no mesmo dia. Bem em frente da casa onde fora realizado o velório de Raimundo, a família velou, na noite de ontem, mais uma perda irreparável. “A gente tem que tomar uma decisão depois que tiver provas, porque agora, nada vai melhorar a dor que sentimos”, refletiu José.
(Diário do Pará)
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