Nelson Assis da Silva, de 62 anos, registrou na noite deste sábado (22) um boletim de ocorrência contra o Major da Polícia Militar (PM), Ronaldo Carlos Souza Seabra, por ter agredido a sua esposa, Marinete Dantas Macedo da Silva, 40, com um soco no rosto que provocou quatro fraturas.
Segundo depoimento do idoso, a confusão começou quando os automóveis de ambos se chocaram em um acidente na avenida Dr. Freitas, esquina com a avenida Almirante Barroso, em torno das 22 horas da noite de ontem (22). Nelson estava dirigindo um veículo modelo Fiat e quando tentou dobrar em direção à Almirante Barroso, foi “fechado” pelo outro veículo. “Ele desceu do carro falando ‘quem vai pagar meu prejuízo?’ e estava visivelmente embriagado”, relatou Nelson.
A discussão se tornou mais agressiva quando Nelson afirmou que chamaria a perícia. O homem tentou atingi-lo com socos mais de uma vez. Irritado, ele se direcionou à esposa do idoso, que também estava no veículo e participava da discussão, e acabou atingindo-a com um soco do lado esquerdo do rosto. Ela teve no nariz quebrado e a face fraturada em três partes.
ACUSAÇÕES MÚTUAS
Nelson acionou a polícia e até aquele momento não sabia que o homem que estava embriagado e agrediu sua esposa era Major da PM, pois não vestia uniforme. Após se dirigir com Marinete ao hospital, foi registrar a ocorrência. Foi quando Nelson se surpreendeu com a identidade e profissão do agressor. O boletim foi feito na seccional de São Brás.
O major da PM também registrou ocorrência e alegou, em sua versão, que o idoso foi responsável pelo acidente e iniciou a agressão.
A advogada Quésia Cabral está cuidando do caso, na defesa do idoso. Ela contou à reportagem do DOL que um exame de corpo e delito será realizado na segunda-feira (23). Uma equipe do Instituto Médico Legal (IML) terá que ir ao Hospital Porto Dias, onde a vítima da agressão permanece internada. Marinete está com o rosto inchado, não consegue falar e só pode se alimentar com o auxílio de um canudinho. “Nós vendemos salgados, vivemos disso. Hospitalizada, ela não pode produzir nada”, lamentou Nelson.
“Após o golpe ela ainda falava. Mas, pouco depois, começou a sangrar muito pelo nariz. Ficamos todos assustados, inclusive os policiais acionados”, relembra Nelson. O médico responsável pelos cuidados da vítima contou que, caso Marinete não tivesse sangrado pelo nariz a hemorragia poderia ter sido interna e o quadro seria ainda mais grave.
A advogada explicou que caso o laudo dos exames e outras provas incriminem o major, ele poderá responder criminalmente por lesão corporal, com agravante de tê-lo cometido contra uma mulher. Também poderá responder administrativamente na Polícia Militar por sua má conduta.
Segundo relato de seu cliente, a advogada Quésia acrescentou à denúncia o fato de nenhuma autoridade ter pedido teste de bafômetro ao policial. “Ele se favoreceu da função para ocultar a sua embriaguez”. Para seu Nelson, houve corporativismo dos policiais no sentido de proteger o major Seabra.
A reportagem do DOL tentou contato com assessoria de comunicação e a corregedoria da Polícia Militar para saber mais detalhes sobre a versão do major Seabra, mas ninguém atendeu as ligações. (DOL)
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