Na manhã do último sábado, 28, familiares, amigos e colegas de trabalho velaram o corpo do técnico Walmir Trindade, funcionário da empresa Conserp Elevadores. Ele morreu num acidente enquanto fazia substituição dos elevadores do prédio da Associação Comercial do Pará (ACP) na última sexta-feira, 27. Walmir estaria em cima de um dos elevadores, no 13º andar, quando houve uma repentina queda, que o levou a morrer devido ao impacto.
Em meio à dor por uma perda inesperada, as incertezas que envolvem o caso ainda causavam angústia. Por mais que nada vá trazer o pai, amigo e colega de volta, aqueles que amavam Walmir ainda querem saber de quem é a responsabilidade pela tragédia, que causou essa perda irreparável.
Segundo o técnico e colega do falecido, Elizeu Nascimento, 46, o acidente foi mesmo uma fatalidade. Ele que estava trabalhando com Walmir na hora do acidente, reconhece que a larga experiência do amigo pode ter feito com que ele se acomodasse em relação a medidas básicas de segurança. “A versão contada pela empresa, de que ele teria equipamento de segurança adequado e não o levou ao local, é verdadeira”, afirmou Elizeu.
Mas os familiares desconfiam de que a história pode não ser tão simples assim. “Já ouvimos comentários de que ele teria ido pedir o equipamento de segurança antes de ‘pegar’ o serviço e a empresa não forneceu”, comentou Melo, o genro. Segundo ele, o fato de a empresa não ter ao menos técnico em segurança no trabalho pode ser um indício de que a política de segurança pode não ser a mais eficiente. “Acho que anda tem muita coisa pra gente descobrir”, desconfia.
“Por enquanto, não podemos fazer nada, pois a dor que sentimos é muito grande. Mas logo vamos ter o resultado da perícia e esperamos que o inquérito policial esclareça o que de fato ocorreu”, deseja Wanderson Castro, 28, filho. Segundo ele, o pai já teria se queixado de que o equipamento de segurança fornecido pela empresa estaria obsoleto.
NOTA
A assessoria de comunicação da Coserp Engenharia declarou que a empresa não descumpre qualquer norma trabalhista em relação a medidas de segurança. “A empresa terceiriza todo o PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais). Todos os funcionários recebem Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) adequados ao tipo de trabalho que desempenham e são treinados para usá-los”, informou a assessoria. Ainda segundo nota, é uma premissa da empresa cuidar da segurança dos trabalhadores contratados.
Em relação ao fato de que o técnico teria solicitado equipamento e não o teria recebido, a versão declarada pela Conserp Engenharia é de que todos os equipamentos de segurança pertinentes ao trabalho que realizaria no prédio da ACP haviam sido repassados a Walmir (botas, luvas, capacete, óculos, cinta de sustentação e cinto de segurança). Entretanto, ele os teria deixado em outra obra. A empresa declara possuir documentos que comprovariam o fato de que Walmir teria recebido os EPIs e o devido treinamento para utilizá-los.
Segundo a família, os custos em relação ao velório e ao enterro do técnico foram subsidiados pela empresa. “Quanto a isso, não temos do que nos queixar. Eles [a empresa] nos deram toda assistência”, reconheceu Wanderson. (Diário do Pará)
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