Um dos julgamentos mais esperados pela população da região do sul do Pará aconteceu no Fórum de Justiça de Redenção, durante toda a sexta-feira. Joaci Barros da Rocha sentou no banco dos réus como acusado de ser o mandante do assassinato do sindicalista Pedro Alcântara de Souza, na época presidente da Federação Nacional dos Trabalhadores e da Agricultura Familiar (Fetraf). Joaci foi condenado a 22 anos e seis meses de prisão. A defesa já recorreu.
O júri popular foi presidido pelo Juiz Haroldo Silva da Fonseca, titular da Vara Criminal da Comarca de Redenção. O promotor de Justiça Italo Costa Dias, auxiliado pelo advogado Kalil Jorge, atuou na acusação, enquanto que os advogados Ângelo Bernardinho de Menezes e Carlos Alberto Gama Filho atuaram como advogados de defesa do acusado. Os dois advogados de Joaci Barros atuam na OAB/ Mato Grosso.
O julgamento teve momentos de comoção, sobretudo no depoimento da testemunha Ademar de Souza, irmão
do sindicalista assassinado, que trabalhava como coordenador da Fetraf.
Ao ser indagado pelo advogado de acusação Kallil Jorge, se ele sabia que Joaci tinha pretensões de eliminar seu irmão, ele confirmou. “Pessoas que participavam do grupo de dissidentes da Fetraf disseram que Joaci dissera que basta eliminar a abelha rainha que as outras abelhas espalham”.
Ademar Souza disse que havia visto uma lista contendo nomes de pessoas que representavam ameaça a vida de seu irmão, entre os nomes estava o de Joaci Barros, que pertencia a um grupo de dissidentes da Fetraf. “A relação fora feita pelo meu irmão, conheço a caligrafia dele e estava sempre guardada na agenda dele”, relatou Ademar.
A testemunha chorou na hora em que o advogado Kalil perguntou se ele havia vista visto o corpo de Pedro Alcântara caído no local do crime. Após um profundo silêncio e limpando as lágrimas dos olhos, Ademar disse:
“Fui o primeiro da família a chegar ao local do crime”. Marielza de Souza, viúva do sindicalista, que estava passeando de bicicleta com o marido quando ele foi assassinado, também se emocionou no momento em que falava sobre a execução de seu marido.
A testemunha de defesa, Rosália Pereira Milhomem, declarou que havia muitos conflitos dentro do PA
Cristalino, coordenado por Pedro Alcântara, conflitos estes que eram provocados pela truculência de um grupo comandado pelo irmão de Pedro Alcântara, que atuou como testemunhas de acusação.
O CASO
Pedro Alcântara de Souza foi assassinado no dia 31 de março de 2010, com cinco tiros na cabeça, enquanto fazia atividade física pedalando sua bicicleta, juntamente com sua esposa, Marielza Fernandes de Souza, no Setor Parque dos Buritis.
O crime teve uma grande repercussão na mídia estadual, sendo que na época a governadora Ana Julia Carepa determinou a apuração imediata do caso e a prisão dos envolvidos no crime. Após investigação, uma equipe da Polícia Civil da capital chegou à conclusão de que o mandante do crime foi Joaci Barros e os executores, Yslei Faustino de Oliveira e Roberto Romero de Araujo, que estão recolhidos no Presídio de Americano, localizado às proximidades da região metropolitana de Belém. (Diário do Pará)
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