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POLÍCIA

Medo toma conta de moradores na invasão Cananga

Depois de ter testemunhado dois homicídios no quintal do vizinho e ter a casa arrombada três vezes em menos de dois meses, a moradora da área de ocupação do Cananga, no bairro Santa Lucia, em Marituba, decidiu abandonar o lugar em que um dia sonhou constr

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Depois de ter testemunhado dois homicídios no quintal do vizinho e ter a casa arrombada três vezes em menos de dois meses, a moradora da área de ocupação do Cananga, no bairro Santa Lucia, em Marituba, decidiu abandonar o lugar em que um dia sonhou construir uma casa de alvenaria. Natural do estado do Maranhão, a mulher, que prefere não se identificar, compartilha a angústia de diversos moradores, que por medo da violência, se preparam para deixar a comunidade. “Aqui todo mundo tem uma história de brutalidade para contar. Todos aqui já sentiram na pele a violência, seja através de uma ameaça de morte, de uma agressão, de um assalto, de um assassinato a luz do dia. Só fica aqui no Cananga quem realmente não tem outro lugar para morar”, afirma.

Por medo de serem os próximos alvos da violência, vários moradores já abandonaram suas casas. “Aqui na rua onde eu moro, só tem duas famílias que aindam resistem. A maioria dos vizinhos já foi embora. Podem ver como essa rua está deserta. São várias casa, mas apenas duas com gente morando”, contou uma moradora, que vive numa casa de madeira de apenas um cômodo com o marido e uma filha. Mesmo afirmando que já foi ameaçada por traficantes, a mulher insiste em permanecer no local. “Medo todos nós temos. Mas, fazer o quê? Eu não tenho para onde ir. O jeito é me sujeitar a isso e pedir a ajuda de Deus”, conta.

Na comunidade, considerada pela polícia como “área vermelha”, a ação criminosa não perdoa ninguém. “Até o nosso pastor evangélico, líder comunitário, já sofreu um atentado. Fizeram uma ‘tocaia’ e quase acertaram um tiro na cabeça dele. Desde esse dia, ele teve que abandonar a área. Agora só vem aqui de passagem, mas morar mesmo, nunca mais”, revelou uma mulher, que como todos os moradores, preferiu o anonimato. “Todos nós temos medo de nos identificar. Se alguém souber que eu falei isso ou aquilo da comunidade, certamente vou sofrer ameaça. Aqui é assim, denunciou morreu. O Cananga é uma terra sem lei”, denuncia.

Procurado pela reportagem, o pastor evangélico, citado pela moradora, não quis falar sobre o assunto. Assustado, apenas confirmou o alto índice de violência na localidade. Segundo um morador, que teve o cunhado assassinado no final do ano passado na área, em menos de cinco meses, o Cananga já foi cenário de dez homicídios. Fato que revela a gravidade da violência em Marituba.

Relembre alguns casos de violência na ocupação Cananga

1. No último dia 31 de dezembro, um homem foi encontrado morto no quintal de uma casa na comunidade. De acordo com populares, Alex Martins Cordeiro, 31 anos, foi executado com dois disparos a mando de uma suposta namorada, conhecida apenas pelo apelido de “Cearense”. Segundo o cunhado da vítima, Michel de Souza Sarmento, o crime foi motivado por vingança. A mulher teria matado e arrastado o corpo da vítima por cerca de 50 metros até o local onde foi encontrado.

2. Populares da ocupação do Cananga, encontraram, na manhã de 22 de outubro do ano passado, dois corpos enterrados num poço no quintal de um casa abandona. As vítimas, identificadas como Renato Monteiro Silva, 35 anos, e Max Joaquim Costa, 36, foram espancadas com pedaços de pau por um grupo de aproximadamente cinco pessoas, ainda não identificadas pela polícia. (Diário do Pará)

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