De acordo com dados da Secretaria de Segurança do Pará, o município lidera o atual ranking de homicídios no Estado, com 15 assassinatos já registrados em 2012. Para a polícia, o isolamento do local aliado à falta de iluminação são apontados com os principais motivos para a prática de assassinatos na comunidade.
“Além de crimes da própria área de ocupação, o Cananga também serve com um local de ‘acerto de contas’ para traficantes de outros bairros de Marituba. Não existe nenhum tipo de estrutura aqui. É como se essas pessoas não fossem cidadãs. Não dá para resolver essa criminalidade toda apenas com um trabalho de repressão”, critica um policial militar, da 18ª Zona de Policiamento, que também prefere não se identificar.
“Nós somos muito abandonados aqui. A prefeitura não faz nada pela ocupação do Cananga. Se agora existe alguns poucos postes aqui é porque a comunidade se reuniu, fez abaixo-assinado e lutou muito para conseguir. Mas se fosse depender de prefeito mesmo, até agora a gente estava sem luz”, denuncia uma moradora, que vive na área há três anos, mas já se programou para deixar a localidade. “Antes do final do mês, eu devo abandonar minha casa. Já fiz muito por essa comunidade, mas não aguento mais tanto crime”
Em resposta às denúncias dos moradores, a Prefeitura de Marituba alega que o local é uma área irregular e, devido a isso, a Secretaria de Obras do município ainda não providenciou a devida infraestrutura para a comunidade. A respeito do alto índice de criminalidade na área, a Prefeitura diz que a responsabilidade pela segurança pública cabe ao governo do Estado e não ao município.
Além da criminalidade, os moradores também enfrentam outro problema. Uma família de empresários luta na Justiça pela posse do terreno onde a ocupação foi instalada. “Nós já ganhamos a liminar que nos dá o direito sobre essa área, mas a família que se diz proprietária do terreno ainda não desistiu da ação de despejo”, relatou uma moradora que já vive há três anos na comunidade.
“O pior de tudo é saber que estamos sendo expulsos não por uma determinação da Justiça, que seria muito ruim, mas aceitável. Mas, estamos sendo tirados a força da nossa terra por conta da violência”, desabafa a mulher. (Diário do Pará)
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