Uma multidão se reuniu no início da tarde de ontem na rua São Domingos, no bairro da Terra Firme, em Belém, para assistir à remoção do corpo de Evandro Jesus Machado, marceneiro de 31 anos. Ele o amigo, Carlos Alexandre Silva Ribeiro, 33 anos, estavam instalando uma antena de internet. Segundo amigos das vítimas, a intenção era captar o sinal a rádio do programa Navega Pará, que vem de uma praça perto do local.
A antena seria instalada em cima da loja de dois andares onde Carlos trabalhava. Quando começou a chover, uma rajada de vento fez a torre de dez metros, onde ficaria a antena, tombar para o lado. A torre caiu em cima de fios de alta tensão. Os dois morreram eletrocutados.
“Eu só ouvi o pipoco, saímos correndo para ver o que tinha acontecido”, disse o irmão de Carlos Ribeiro, Aldevir Santana Corrêa. “Não sei nem explicar o que eu tô sentindo diante dessa fatalidade”, comentou o irmão da vítima. Carlos ainda foi socorrido com vida, mas morreu a caminho do Pronto Socorro do Guamá. O choque em Evandro Machado, conhecido como “Meia”, foi tão forte que sua mão precisou ser amputada para que o corpo pudesse ser removido, já que aparentemente estava colada à torre.
Segundo o policial militar J. Araújo, sua equipe estava fazendo patrulhamento pela área quando foi acionada pelas dezenas de pessoas que se reuniram no local. Técnicos da rede Celpa desligaram a energia da área para que os peritos do Renato Chaves retirassem o corpo de “Meia”, que ficou no telhado da loja.
Entre as dezenas de pessoas, de todas as idades, reunidas no local haviam curiosos rindo, fotografando e admirando a tragédia dos dois amigos. “As pessoas pensam que isso é um circo. Ninguém respeita a dor de ninguém”, comentou um policial militar. Antônia Reis, 81 anos, aposentada, parece resumir o que os familiares e amigos dos mortos sentiam: “Tinha que acontecer. Mas só Deus sabe o porquê”. A multidão foi embora tão rápido quanto se reuniu, assim que o carro do “Renato Chaves” levou o corpo de Evandro Machado embora. (Diário do Pará)
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