O que seria mais uma final de semana no interior para a família Potter acabou em tragédia. O sargento da Polícia Militar lotado no Cipoe, Reginaldo Potter, foi liquidado a bala ao intervir em uma execução que vitimou Clodomir da Silva Assis, conhecido como “Júnior”, alvo dos matadores.
O palco da tragédia foi um balneário na Vila do Carmo, às margens do rio Itá, localizada no Km 18 da rodovia PA-140, estrada que liga os municípios de Santa Isabel do Pará e Bujaru.
Com exclusividade o DIÁRIO acompanhou o caso desde a chegada de uma equipe de policiais do 12º BPM de Santa Isabel, de familiares das vítimas até a remoção pelo IML de Castanhal.
As primeiras informações levantadas pela Polícia Civil de Santa Isabel davam conta de que os assassinos estiveram há dois dias fazendo um levantamento da área, procurando o alvo que seria Clodomir da Silva. Segundo o próprio pai, ele tinha contas a acertar com a Justiça, sendo foragido da colônia e acusado de assaltos a ônibus na rodovia PA-140.
Testemunhas que conversaram com o DIÁRIO, cujas identidades serão preservadas, disseram que havia no balneário uma festinha de aniversário. O sargento Potter, que estava de licença saúde, tinha familiares na Vila do Carmo e sempre aos finais de semana visitava a localidade.
O policial militar teria chegado ao balneário, que pertence a um família, por volta das 13h do último sábado e a vítima chegou duas horas depois, sendo seguida por dois homens, que chegaram em uma motocicleta laranja e se amesendaram no local.
“Júnior” estava acompanhado da mulher Naiara quando uma pessoa perguntou “de quem era uma moto mal estacionada” na frente do balneário, tendo “Júnior” levantado quando um dos homens sacou de um revólver e fez vários disparos na cabeça da vítima. “O policial, ao ver a ação, tentou desarmar um dos assassinos, sendo executado com vários tiros”, disse a testemunha.
VERSÕES PARA O CRIME
A delegada Hildenê Falqueto, da Seccional Urbana de Santa Isabel, esteve no local e conseguiu relacionar várias testemunhas que serão importantes para desvendar a motivação para o duplo homicídio na Vila do Carmo.
Uma das testemunhas ouvidas disse na Polícia Civil que desconfiava que familiares de um homem que “Júnior” teria matado no Paar seriam os mandantes ou executores do rapaz e do policial militar. Ele disse também que “Júnior” tinha rixa com dois homens do bairro do Paar, por conta do citado homicídio, mas não soube dizer quem são eles.
Mas a versão mais provável que certamente a Divisão de Homicídios irá aprofundar as investigações vem de outro assassinato ocorrido em um sítio às margens da PA-140.
Há quatro meses, um rapaz teria sido assassinado em um sítio próximo à Vila do Carmo e as informações davam conta de que um morador da vila estaria por trás do homicídio recaindo em “Júnior”, que estaria, assim, marcado para morrer.
A morte do sargento Potter acabou sendo uma situação que os assassinos não esperavam. O irmão do policial assassinado, o também policial subtenente Potter, acredita que o irmão, que não andava armado, sendo considerado um militar exemplar, agiu pelo impulso de defender um homem que estava sendo executado.
CARACTERÍSTICAS DOS ASSASSINOS
Segundo o relato de várias pessoas que viram os assassinos, eles estavam sem capacete e mostraram os rostos como fossem pessoas que estariam no balneário para se divertir. “As pessoas não se importam com estranhos porque aqui é um igarapé às margens da rodovia, passagem de muita gente”, disse um morador.
O serviço de retrato-falado da Polícia Civil esteve em Santa Isabel do Pará horas depois do crime para ouvir o relato de pessoas que viram e tiveram contato com os assassinos.
Um deles era branco, bem magro, alto, não usava boné e estava de camisa listrada. O outro era baixo, moreno, compleição mediana, o qual tinha um machucado grande em um dos joelhos e mal conseguia andar, bem como não podia flexionar a perna machucada.
Policiais militares que acompanharam a perícia informaram que os homens acusados do duplo homicídio seriam profissionais no manuseio das armas. Segundo o perito Aládio MacDowell, os tiros atingiram as cabeças das vítimas, que tiveram morte imediata. (Diário do Pará)
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