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POLÍCIA

Mulheres que visitam detentos têm dura rotina

É rotina. Toda sexta pela manhã, a doméstica Rina Gomes, 18 anos, faz as compras pensando em levar o que seu marido mais gosta. No começo da tarde, ela pega um ônibus de Vigia até Marituba. Lá ela vai levar as compras e rever o amado, que “reside” atualme

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É rotina. Toda sexta pela manhã, a doméstica Rina Gomes, 18 anos, faz as compras pensando em levar o que seu marido mais gosta. No começo da tarde, ela pega um ônibus de Vigia até Marituba. Lá ela vai levar as compras e rever o amado, que “reside” atualmente no Presídio Estadual Metropolitano III (PEM III), onde cumpre pena de 27 anos por duplo homicídio. Mas, quando há algum tipo de motim dos encarcerados, é praxe haver proibição de visitas.

Segundo a assessoria de comunicação da Superintendência de Sistema Penitenciário (Susipe), as visitas são suspensas nos blocos onde são realizados os motins por medida de segurança.

As visitantes também reclamaram da forma como são tratadas pelos servidores da Susipe em todas as visitas. “Eu já ouvi as agentes [prisionais] dizerem que quem visita criminoso é igualmente criminoso. Por isso tratam a gente parece bicho”, observou a comerciante Rosilene da Conceição, 41 anos, que visita o filho, que foi condenado por roubo há três anos.

Todas as mulheres que vão fazer visitas no PEM III passam por um rigoroso processo de revista, que dura cerca de uma hora. Apesar de entenderem que a revista é necessária, elas reclamam de como o processo é conduzido. “A gente entende que muitas mulheres levam coisas nas partes íntimas, mas nada justifica a forma como elas nos humilham. Elas tratam a gente como se estivessem com nojo”, alegou a comerciante Rosilene.

As visitantes reclamam ainda que o banquinho detector no qual elas têm que sentar só de calcinha não é higienizado. Alegam que, no máximo, passam um pano quando senta uma mulher menstruada. “Oh, meu filho, isso é uma humilhação”, resumiu uma senhora de 73 anos, que há três anos, apesar da idade, passa por esse processo para ver o neto, condenado por roubo.

UMA NECESSIDADE
O diácono Ademir Silva, 60 anos, coordenador da Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Belém, lamenta, mas reconhece que são necessárias as revistas, devido à enorme quantidade de objetos que as mulheres levam aos companheiros ou filhos durante as visitas. Disse também desconhecer reclamações sobre o fato de que agentes se apossam das compras levadas aos presos durante a visita. “A forma ideal de revistar os visitantes seria um scanner de corpo, mas o governo diz que é muito caro”, declarou.

O superintendente da Susipe, André Cunha, declarou desconhecer que esteja havendo descuido com a higiene durante as revistas íntimas e que vai averiguar até que ponto isso é verdadeiro. Mas reiterou a extrema necessidade de que elas ocorram. “Infelizmente, as mulheres acabam usando seus próprios corpos como veículo para transportar todo tipo de coisa aos presos, que muitas vezes querem continuar suas atividades criminosas dentro da cadeia. Por isso que elas odeiam o banco detector, pois é ele que detecta se elas trouxeram ou não um celular e outras coisas”, explicou. Segundo ele, cada scanner de corpo custa cerca de R$ 1 milhão, por isso é inviável no momento.

DIREITOS HUMANOS
O superintendente disse ainda que considera positivo o fato de haver visitas. “Eu considero importante que os presos revejam seus entes, que tenham contato com coisas boas aqui de fora, para que, quando voltarem, eles se tornem pessoas melhores”, admitiu. Segundo ele, é pena que um grande número de pessoas use esse recurso das visitas, não para ajudá-los a melhorar, e sim para ajudá-los a fazer novamente o que os levou à reclusão.

Diácono Ademir Silva, por sua vez, desenvolve um trabalho de acompanhamento desses presos justamente com essa perspectiva, a de que mesmo o maior dos criminosos possui direitos. Para a pastoral, cuidar dos direitos dos presos, garantir melhor condições das carceragens não são regalias, e sim uma forma de fazer com que aquelas pessoas sejam preparadas para a volta. Fica o questionamento: presos maltratados sairão melhores da prisão ou mais revoltados?

CAOS NO SISTEMA PENAL
Conforme admitiu o superintendente da Susipe, André Cunha, o problema da superlotação das casas penais acabam contribuindo negativamente para todos os problemas das prisões brasileiras. “Hoje temos pouco mais de 12.000 presos para 6.712 vagas. Ou seja, um déficit de 90%. Mas o governo do Estado vem investindo para que esse déficit diminua para 20% em 2015.

Segundo ele, já estão em construção novas casas penais nos municípios de Breves, São Félix do Xingu, Santarém, Marabá e Santa Isabel, que vão gerar ao todo cerca de 3.000 novas vagas. O superintendente afirma ainda que, embora tenha a clareza de que sempre será necessário haver presídio, o governo também vem investindo de forma preventiva através do programa Pro-Paz, para que a população carcerária não continue crescendo com a mesma proporção dos últimos anos. (Diário do Pará)

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