No final da manhã de ontem, uma tonelada de carne de búfalo roubada foi apreendida no município de Soure, no arquipélago do Marajó. Foram três animais abatidos que, somados a 477 cabeças apreendidas há duas semanas em Cachoeira do Arari, também no Marajó, somam mais de 100 toneladas de carne.
A carne apreendida foi identificada durante ronda feita pela viatura do sargento Leomar Duarte. “Nós avistamos um homem em atitude suspeita, carregando um isopor grande. Quando efetuamos a revista, a carne estava lá”, explica o sargento. As investigações levaram os policiais à margem do rio Paratuari, no final do Bairro Novo, numa localidade conhecida como Sossego. Lá, foi encontrado um homem e uma canoa com mais carne de búfalo abatida ilegalmente.
Tatiana Assis, gerente regional da Adepará (Agência de Defesa Agropecuária do Pará), explica que é comum em animais roubados as orelhas serem cortadas e a marca de identificação adulterada. “Todos os animais são identificados em suas fazendas. Quando o animal é roubado, geralmente as quadrilhas queimam a marca usando uma lata de alumínio, por exemplo”, explica a engenheira agrônoma.
A carne apreendida foi vistoriada pelos técnicos da Adepará e o material não poderá ser doado. “O odor forte que a carne exala, as marcas de sujeira, o princípio de contaminação por bactérias são sinais de que não há mais condições para consumo”, explica a veterinária Dráucia Gouvêa. A carne estava sendo transportada em um isopor imundo, tinha indícios de ter sido arrastada pelo chão e, segundo o delegado Arilson Caetano, titular da Superintendência Regional dos Campos do Marajó, provavelmente seria vendida em mercados clandestinos a preços baixos. O produto será enterrado para evitar que pessoas a peguem no lixão da cidade.
Os dois homens encontrados com a carga permanecem detidos e deverão responder por crime contra a economia popular. O delegado Arilson Caetano explica que não há provas suficientes para indiciá-los por roubo. “Nós vamos dar prosseguimento às investigações para identificar as outras pessoas envolvidas na ação”, conclui o superintendente.
AÇÃO INTEGRADA
O roubo de bois e búfalos é comum na região. Como as fazendas geralmente não são cercadas, os búfalos podem circular livremente. O delegado Arilson Caetano, titular da Superintendência Regional dos Campos do Marajó, explica que o fato dos animais serem dóceis facilita a ação dos ladrões. “Como os animais são mansos, eles deixam as pessoas se aproximarem. Os ladrões os abatem no próprio local e costumam fazer o transporte da carga pelos rios, sem higiene nenhuma, para dificultar a fiscalização”, ressalta o superintendente.
Mas o delegado afirma que a ação dos ladrões tem sido combatida graças ao trabalho conjunto da Polícia Civil, Polícia Militar, Adepará, Sagri (Secretaria de Agricultura do Estado do Pará), Sespa (Secretaria de Saúde do Pará) e Vigilância Sanitária, além do apoio da população, matadouros e fazendeiros. “A participação da população é muito importante. Por isso nós pedimos que se alguém avistar carne sendo transportada irregularmente que, por favor, denuncie”, pede o delegado.
RECEPTADORES
As 477 cabeças de búfalo apreendidas há duas semanas em Cachoeira do Arari, a 100 km de Soure, estavam na fazenda Campão, que, segundo o delegado Arilson Caetano, seria de José Sebastião. Uma denúncia anônima levou a Polícia Civil até o local e 255 animais teriam sido identificados com as marcas que caracterizam búfalos roubados. A perícia de todos os animais está sendo realizada e os búfalos estão sendo devolvidos para seus respectivos proprietários. De acordo com o delegado Arilson Caetano, José Sebastião já responde inquérito por receptação de animais roubados e formação de quadrilha.
“Nós vamos investigar para saber se há ligação entre a apreensão de hoje e essa de duas semanas”, afirma o delegado. Os búfalos seriam originalmente de 16 proprietários diferentes. (Diário do Pará)
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