Um duplo homicídio, no início da manhã desta sexta-feira santa, assustou moradores do Distrito Industrial, em Ananindeua. Por volta das 6h, policiais militares da 7ª ZPol foram avisados que uma mulher identificada como Miriam da Silva Chagas, 49 anos, teria sido morta a pauladas, na alameda Pedro Bahia, próximo à Primeira Rural do Distrito. Assim que chegaram ao local e verificaram o fato, os militares foram surpreendidos com outra situação. A cerca de 300 metros do local, outro homicídio. Leandro da Silva Guimarães, 19 anos, foi encontrado morto, jogado em um matagal, apresentando marcas de várias facadas pelo corpo.
Um pedaço de perna-manca suja de sangue ao lado do corpo de Miriam revelava a crueldade do crime. De acordo com peritos do Instituto de Pericias Científicas Renato Chaves, a madeira foi usada para desferir os golpes na cabeça da vítima. Apesar das circunstâncias do crime, moradores da área afirmaram que não ouviram nenhum barulho e que só foram se deparar com o caso nas primeiras horas da manhã.
A mesma situação ocorreu no assassinato de Leandro. Vizinhos disseram que não ouviram nenhuma movimentação atípica no local. “Eu não ouvi nem mesmo os latidos de cachorros esta noite. E olha que eu demorei pra dormir. Se esse rapaz tivesse sido morto aqui, eu tenho certeza que teria ouvido alguma coisa. Por isso imagino que ele foi morto em outro lugar e depois jogaram o corpo dele no matagal”, revelou uma moradora da área, que prefere o anonimato.
LIGAÇÃO
Segundo moradores da área, as duas vítimas moravam no mesmo bairro, mas não tinham contato uma com a outra. “Tudo indica que as mortes possuem uma ligação. Seria muita coincidência dois crimes com motivos diferentes a poucos metros um do outro. Além disso, a forma como eles foram mortos é parecida. E em nenhum dos casos foi usado arma de fogo”, relatou o sargento PM Cesar, da 7ª ZPol. Segundo ele, a hipótese mais provável é que os crimes teriam sido motivados por acerto de contas.
A hipótese levantada pelo militar não foi descartada pelo investigador da Policia Civil Wellington de Araújo, da Seccional Urbana de Ananindeua, onde o caso foi registrado. “É claro que ainda é cedo para afirmar alguma coisa, mas acreditamos que os dois homicídios possuem ligação e estão relacionados com acerto de contas. Tivemos a informação que a Miriam tem um filho preso por um homicídio que ocorreu há cerca de três anos e que pessoas próximas à vítima teriam prometido se vingar. Outra hipótese é que a mulher pode ter testemunhado o homicídio do rapaz e por conta disso também teria sido vítima”, explicou Wellington.
Familiares de Miriam confirmaram a versão apresentada pela polícia e disseram que o filho dela continua preso acusado de um homicídio realizado em 2009. “A Miriam era uma mulher trabalhadora que nunca teve problema com coisa ilegal. Quem era envolvido com o crime era o filho dela, mas isso não tem nada a ver. Até agora a gente não entende porque ela foi morta dessa forma”, relatou uma tia da vítima, que prefere não se identificar.
BEBIDA ALCOÓLICA
Um tio de Leandro, que também prefere o anonimato, revelou que o jovem estava consumindo bebida alcoólica na noite anterior em companhia de alguns supostos amigos e que após isso teria saído de casa sem avisar para onde iria. “Eu não tinha muito contato com o Leandro devido ao tempo. Mas eu sei que na noite de ontem (quinta-feira) ele estava bebendo na casa dele com uns amigos e que após isso teria saído sem dar nenhuma satisfação para a esposa”, contou o tio.
Policiais civis da Seccional Urbana de Ananindeua e da Divisão de Homicídios estiveram na área para fazer os primeiros levantamentos do crime. (Diário do Pará)
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