Faltando apenas 12 dias para o término do prazo regimental de funcionamento da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Assembleia Legislativa do Pará, instalada para apurar casos de tráfico humano no Estado, mais uma estratégia de crime envolvendo submissão e situação de escravidão humana vem à tona. Uma trama de mentiras, agiotagem e extorsão praticada contra moradores do município de Rondon do Pará e região próxima.
As investigações iniciaram há três meses e apontam para uma rede articulada de interlocutores que já aliciaram mais de 6 mil pessoas em mais de 20 anos, prometendo uma viagem em busca do sonho americano de vida. O destino é os Estados Unidos da América, mas até ultrapassar a fronteira, pelo México, a farsa se revela e o pesadelo começa, sair com vida de toda a teia arquitetada pela quadrilha se torna uma vitória e o retorno para casa passa a ser o principal objetivo.
Na tarde de ontem, o relator da CPI, deputado Carlos Bordalo (PT), tomou depoimentos de duas pessoas atingidas pela ação do grupo, que age sem nenhum pudor. Em um dos casos, a perda da propriedade em virtude da incapacidade de pagamento das dívidas oriundas do empréstimo levantado com agiotas, que cobravam juros exorbitantes, que variavam entre 08 e 10%, atingiu uma senhora de 72 anos.
Quem contou a trajetória, desde o aliciamento até a perda da casa, foi o filho, J.C., mototaxista, que, sem saber que o sobrinho havia convencido a irmã de conseguir um empréstimo para que ele fosse em busca de uma vida melhor nos EUA, assistiu a mãe perder a casa sem nada poder fazer. (Diário do Pará)
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