Como se já não bastassem as dificuldades em busca de internação, dois pacientes do Hospital de Urgência e Emergência de Marituba passaram por um sufoco, na tarde de ontem, dentro de uma ambulância da prefeitura de Marituba. O carro pegou fogo na avenida Alcindo Cacela, bairro do Umarizal.
A ambulância estava a caminho do Pronto-Socorro do Guamá, para uma tentativa de internação dos pacientes, quando o veículo se incendiou. Mas, em meio ao caos, os pacientes tiveram a sorte de não ter ocorrido algo pior. Os estudantes e funcionários da Universidade da Amazônia prestaram ajuda aos dois pacientes.
Uma paciente, identificada como Maria José Pereira da Silva, 53, estava com quadro de Acidente Vascular Cerebral (AVC) e o outro paciente, que não teve o nome informado, estava com um osso engatado na garganta. Na hora do tumulto, os dois pacientes foram retirados rapidamente da ambulância e dona Maria ficou na maca, no pátio da Unama, onde permaneceu por aproximadamente uma hora.
SOLIDARIEDADE
Lá, ela recebeu atendimento da enfermeira Izoneide Faustino, do ambulatório da universidade, foi verificada a pressão e o nível de glicemia da paciente. “A pressão dela estava em 21/12 e a glicemia alta. É um absurdo uma pessoa que já está em um quadro desse ainda passar por toda essa situação, é um desrespeito com o ser humano”, declarou a enfermeira.
Após uma hora de espera, a ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) transportou os pacientes para o PSM do Guamá.
Com poucas palavras, o motorista da ambulância da prefeitura de Marituba, que se identificou apenas como Luis, disse que a pane foi mecânica. “O carro parou e de repente começou a sair fumaça da bateria, aí começou o sufoco”, contou. De acordo com populares, o Corpo de Bombeiros chegou rápido no local e contornou a situação.
PRECARIEDADE
No momento em que os pacientes foram colocados na ambulância no Hospital de Urgência e Emergência de Marituba, o genro de dona Maria, Guaraci dos Anjos, fez questão de filmar com o próprio aparelho celular a situação de precariedade da ambulância.
“Eu cheguei a falar que não tinha condição de ela ser transportada naquela ambulância, ela estava em uma maca velha com o colchão furado, a ambulância estava depenada sem nenhum aparelho e ainda por cima estava suja e com um pneu velho jogado, e o pior de tudo é que não foi nenhum médico ou enfermeiro acompanhando, só o motorista mesmo”, falou indignado o genro da paciente.
No último contato feito com Guaraci, ele disse que a sogra continua na mesma situação e ainda não recebeu nenhuma informação dos médicos do Pronto-Socorro do Guamá. “Ela continua na mesma situação, está toda paralisada e o que eu sei é que ela já recebeu um medicamento, só isso, mas nenhum médico falou com a gente sobre o quadro dela”, disse Guaraci, na noite de ontem.
CAUSA
O inspetor da Companhia de Transportes de Belém (CTBel) Volmir Martins informou que é necessário que seja solicitada uma pericia para saber a causa do incêndio na ambulância. “Existem várias possibilidades, mas só com a perícia é que será explicada a causa desse incêndio”, disse o inspetor. (Diário do Pará)
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