Somente uma investigação rigorosa vai identificar quais os motivos que levaram dois homens executarem com onze facadas e seis tiros Nélio Ribeiro dos Santos, de 29 anos, quando este caminhava pela rua São Sebastião no bairro da Água Boa, distrito do Outeiro.
Segundo as poucas testemunhas que se arriscaram a falar às escondidas, chovia bastante no momento do crime. Caia a noite do sábado (5), quando dois homens, a princípio em motocicletas, se aproximaram da vítima anunciando um “possível assalto”. Percebendo o perigo, Nélio Ribeiro dos Santos tentou buscar a primeira alternativa viável naquela circunstância. Ele viu a porta aberta de uma casa na rua São Sebastião e entrou correndo sendo seguido pelos matadores, que o encurralaram na cozinha da casa, aplicando as facadas e disparando os tiros.
A Polícia Militar e o DIÁRIO acharam um estranho logo na chegada ao local do crime. Um homem, que se dizia irmão da vítima, tentava de todas as formas obstruir o trabalho de jornalistas, afirmando que se tratava de um assalto e que não desejava ver o fato em jornais e televisão.
Dono da casa onde Nélio Ribeiro foi morto, ele informou que não se importava com o trabalho dos jornalistas, mas depois mudou de ideia pressionado pelos familiares e amigos da vítima, que chegaram em um táxi com placa de Belém e reconhecidos como moradores do bairro da Terra Firme.
O sargento Rangel e o cabo Marcelo, da viatura 9337, integrantes do efetivo do Outeiro, preservaram o local até a chegada do Instituto de Criminalística e Divisão de Homicídios, para levantamento de local de crime. Na porta da casa, um familiar de Nélio Ribeiro questionava até a presença de investigadores no local.
Apesar dos sinais claros de que se tratava de uma execução, chamou a atenção o fato de familiares tentarem assegurar que teria sido um assalto, mas a versão caiu por terra depois que o perito Wamilton Albuquerque identificou onze perfurações a faca no pescoço e costas e seis entradas de bala no corpo de Nélio Ribeiro. “Ninguém assalta desta maneira. Invadindo a casa e matando com onze facadas e seis tiros”, informou um policial da Divisão de Homicídios.
A todo instante, pessoas estranhas se aproximavam das equipes de jornalistas, pedindo que não divulgassem o caso. “Você tem que respeitar a vontade da família, que não quer o registro de nada”, ameaçou um rapaz depois identificado por nossa equipe como envolvido em tráfico de drogas.
O DIÁRIO, com exclusividade, conseguiu levantar através de uma testemunha, que pediu para não ser identificada, que ouviu os assassinos gritarem “tu estás devendo”, quando abordaram a vítima e só voltaram quando tinham completado o serviço.
O delegado Lenoir Cunha, da Divisão de Homicídios, esteve com sua equipe no local do crime levantando o maior número de informações bem como policiais civis do Outeiro a quem estará direcionado o crime para investigações e identificações dos criminosos. (Diário do Pará)
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