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POLÍCIA

Jovem é morto com 15 facadas na frente do pai

O que levaria um pai a ficar em silêncio depois de ver o filho morrer com 15 facadas bem em frente a sua casa? Bruno Carlos Ramos da Silva, 27 anos, teria se envolvido numa briga com um cidadão identificado apenas por “Gil”, no último domingo de São João.

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O que levaria um pai a ficar em silêncio depois de ver o filho morrer com 15 facadas bem em frente a sua casa? Bruno Carlos Ramos da Silva, 27 anos, teria se envolvido numa briga com um cidadão identificado apenas por “Gil”, no último domingo de São João. Às 22h, o homem com quem a vítima discutiu (Gil), acompanhado de outro, teria ido até a casa de Bruno, chamado-o para um bate-papo “amistoso” e, após uma luta sangrenta e covarde, deixaram Bruno atirado ao chão diante da própria família, na rua Yolanda, Distrito Industrial de Ananindeua.

O sargento Cezar, da 20ª AISP, 25º Batalhão da PM, informou que, após uma discussão que iniciou num bar próximo ao local do crime, Bruno e Gil teriam chegado às vias de fato. “Começaram uma briga e apartaram. Ele estava bebendo junto com o pai na hora da briga”, detalhou o sargento, que confirmou ainda que Bruno morreu diante do pai, que nada conseguiu fazer, primeiro devido ao estado de embriaguez em que se encontrava, segundo porque os dois teriam agido rapidamente e depois fugido.

Segundo informações de curiosos e parentes que pediram para ficar anônimos, a vítima não tinha envolvimento com a criminalidade. Bruno seria um dos boleiros de pelada mais requisitados do bairro e teria sucumbido diante da mistura fatal entre intolerância e álcool. “Tem gente que bebe para se divertir e tem gente que bebe para criar coragem para fazer o mal”, comentou um vizinho.

IMPOTÊNCIA
“Eu não consigo chorar nem sorrir”, comentou o pai de Bruno diante do corpo, que até a chegada da Divisão de Homicídios permaneceu ali, diante da casa onde morava, sem poder ser coberto por um lençol. “Nós não podemos permitir que vocês cubram e nem façam nada que altere a cena do crime. Se fizessem isso antes que chegássemos não poderíamos impedir, mas, se permitirmos que façam na nossa frente, estaremos sendo omissos”, explicou o sargento Cezar a um tio da vítima.

“Pai, me ajuda aqui”, teria gritado Bruno, enquanto era agarrado pela dupla de assassinos e esfaqueado. Os golpes foram desferidos sobretudo nas costas, mas também houveram perfurações no ombro e na cabeça. O pai de Bruno relatava ao DIÁRIO detalhes do crime, pensando estar conversando com um vizinho. Quando questionado sobre quem estava junto com Gil na hora do assassinato, o pai percebeu-se numa entrevista e, nitidamente nervoso e desconcertado,começou a dizer que não sabia de nada, a mesma resposta que depois deu à polícia.

Foram 15 golpes, provavelmente com muitos gritos e uma certa luta por sobrevivência do jovem antes de morrer na frente do próprio lar, diante do pai e dos vizinhos.

“Essa é uma área que costumamos chamar de vermelha. Aqui perdura a Lei do Silêncio. Ao que tudo indica, a família sabe mais do que diz. Esperamos que nos procurem depois e nos relatem mais detalhes”, comentou o delegado Eduardo Rollo, da Divisão de Homicídios.

(Diário do Pará)

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