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POLÍCIA

Sequestro de garoto foi coordenado por presidiário

Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (25), a Polícia Civil do Pará apresentou, na Delegacia Geral, as seis pessoas presas por envolvimento no sequestro do filho de um empresário e do taxista que estava com ele. De acordo com as apurações pol

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Em entrevista coletiva realizada nesta terça-feira (25), a Polícia Civil do Pará apresentou, na Delegacia Geral, as seis pessoas presas por envolvimento no sequestro do filho de um empresário e do taxista que estava com ele. De acordo com as apurações policiais, o esquema foi coordenado por um presidiário do Complexo Penitenciário de Americano.

O estouro do cativeiro ocorreu na noite de ontem (24), na cidade de Santa Izabel do Pará. Com o grupo de sequestradores foram apreendidos, ainda, 22 quilos de “pedra” de cocaína, roupas camufladas, luvas, cartuchos e três armas de fogo, do tipo cartucheira. Dois integrantes do bando reagiram a tiros e morreram ao serem baleados pela polícia. Foi identificado que participantes do seqüestro possuem envolvimento a facção criminosa paulista mo "PCC" - Primeiro Comando da Capital.

Segundo o delegado-geral adjunto, Rilmar Firmino, o dinheiro que os bandidos pretendiam obter no sequestro seria investido no pagamento da droga fornecida a mando do presidiário Israel Gama Soares, de apelido “Molequinho”, preso em Americano para o cumprimento de pena pelos crimes de assaltos a carro-forte, à instituição bancária e por latrocínio.

Uma equipe de 32 policiais civis trabalhou para o desfecho do crime, atuando nas investigações desde o último dia 17, quando o jovem de 15 anos foi sequestrado, junto com o taxista que o conduzia, no centro de Belém, no momento em que era levado para casa após sair da escola.

No cativeiro, as vítimas eram mantidas em um banheiro, com os olhos vendados e com mordaças. Em um dos momentos no cativeiro, o taxista chegou a ser agredido fisicamente pelos sequestrados por ter levantado a venda nos olhos.

O delegado Ivanildo Santos, diretor da Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), apresentou o histórico dos fatos, durante os sete dias de cativeiro. “Uma parte do bando é do Pará e outra é envolvida com facções criminosas de São Paulo”, informou.

O delegado explicou que os criminosos estiveram em três locais diferentes. Inicialmente, em Ananindeua, e depois, na mata em Santa Izabel do Pará. Por fim, estiveram em uma chácara, situada em um ramal a 500 metros da rodovia BR-316, perto da estrada de acesso à Vila de Americano.

Mesmo sem o consentimento da família, que estava recebendo ameaçada dos bandidos para não comunicar a situação à Polícia, a ação foi acompanhada pelos policiais. Os bandidos fizeram três contatos com os familiares. No primeiro, eles colocaram o jovem em contato com o pai, e exigiram R$ 3 milhões de resgate. Na última quarta-feira, o valor foi diminuído para R$ 500 mil, devido à dificuldade da família em levantar o valor inicial, por causa da greve nacional dos bancários.

Ainda de acordo com o delegado Ivanildo, a ação foi bem articulada, sendo possível perceber a atividade empresarial da quadrilha, que envolvia ainda o tráfico interestadual de drogas. O entorpecente apreendido pela policia, depois de pago, seria levado para São Paulo por dois integrantes do bando, identificados como Marcelo e Tiago, os quais são apontados como membros d "PCC".

Conforme Ivanildo, o presidiário Israel Soares é considerado o braço-forte, no Pará, das facções criminosas de fora do Estado. Com uso de telefone celular, ele fazia a articulação com integrantes do bando, de dentro da casa penal, em Americano.

Na coletiva, o delegado apresentou vídeo do momento da abordagem policial ao cativeiro e áudios dos diálogos entre os criminosos e o pai do adolescente. "Logo que soubemos do crime, agimos tecnicamente, para não expor a riscos a vida das pessoas", ressaltou o policial civil.

Na casa havia quatro seqüestradores, além de armas e as drogas. Do lado de fora, houve troca de tiros com dois outros bandidos. Marcelo e Tiago foram feridos e morreram no confronto com a polícia.

OS PRESOS

Além de Israel, foi preso Carlos Maciel Pereira da Silva, que é foragido da Justiça por assalto e tráfico de drogas. Ele era responsável pela distribuição da cocaína, cuja parte foi apreendida no cativeiro. Outro preso é Ricardo Anderson Souza Silva, caseiro da chácara usada no sequestro. Ele participou do crime arrumando o local de cativeiro e ficando de guarda na área.

Outro preso, Raimundo Santos, já tem passagem pela Polícia por envolvimento no assalto a um carro-forte na estrada da Alça Viária. O outro acusado é Nelson Roberto Nascimento Negrão, que, durante o sequestro, esteve em Marabá, onde tentou cometer um assalto, mas não deu certo. Ele também chegou a ser contratado, por R$ 3 mil, para executar uma pessoa, no Conjunto Marex, no bairro de Val-de-Cães, em Belém.

A companheira de Nelson, Renata Cavaleiro de Macedo, também foi presa. Os policiais identificaram que o aparelho celular dela foi usado para manter contato com a família.

Estiveram na entrevista coletiva o delegado-geral, Nilton Atayde; o delegado-geral adjunto, Rilmar Firmino; o secretário adjunto de Inteligência e Análise Criminal da Segurança Pública, Antônio Farias; os diretores de Polícia Especializada, João Bosco Rodrigues; do Interior, Sílvio Maués, e de Inteligência, Cláudio Galeno; e os delegados Ivanildo Santos, Hennison Jacob e André Costa, da DRCO, comandaram as investigações. (DOL, com informações da Polícia Civil)

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