A viúva do cabo João Carlos da Silva Brás, 39 anos, que morreu eletrocutado na última segunda feira (01) na Marambaia, refutou a versão relatada pelo tenente-coronel Denner Jeferson da Silva, 45 anos, a respeito da morte do policial na Seccional da Marambaia na manhã de anteontem, mostrada ontem pelo DIÁRIO. O oficial da PM alegou que o seu subordinado teria insistido para subir a laje da casa dele para realizar um pequeno serviço, mas em nenhum momento o contratou ou prometeu qualquer benefício à vítima - que teria chegado até a residência do coronel apenas para levar uma encomenda. Segundo Nair Lima Ferreira, 33 anos, o marido dela teria sido contratado para fazer o serviço pelo qual receberia R$ 50,00 por diária, mais folgas e o direito de ir a uma viagem durante a operação das eleições, para que pudesse ganhar as generosas diárias do serviço.
“O coronel veio até a minha casa aqui em Mosqueiro horas depois que o meu marido foi enterrado, por volta das 15h. Veio ele, a mulher, o pai, e um monte de gente da família dele e me prometeu dar todo apoio necessário. Numa certa hora ele me chamou pra ir ao quintal e disse que era pra eu confirmar a versão que ele contaria na Marambaia porque eu só tinha a ganhar. Falou que se eu não colaborasse, poderia perder o direito a pensão e à indenização. No momento eu fiquei desnorteada, mas não acho justo isso”, denunciou a viúva.
Segundo a denunciante, o marido era pedreiro antes de entrar para a polícia. Ele costumava prestar serviços do tipo a alguns coronéis da bucólica, que então repassaram a informação para outros oficiais, como teria sido o caso do tenente-coronel Denner. A “escala” de serviço combinada entre o marido dela e o superior dele teria sido trabalhar na última sexta, sábado, segunda, terça, na quarta trabalharia como PM normalmente, e concluiria ontem o serviço de consertar o vazamento da laje e fazer um “rufo” para evitar vazamentos futuros.
“Mas quando meu marido estava indo pra Belém na última sexta o coronel ligou pra ele pedindo que fosse só na segunda. Agora como é que ele vem dizer que ele não ia pra trabalhar se a mochila que ele levou tinha até ferramentas de pedreiro?”, relatou dona Nair, apontando para a mochila que foi trazida do mesmo jeito que se encontrava na residência do oficial, pela irmã da vítima, que também é PM.
A viúva, que é mãe da única filha do cabo, apresentava estar bastante desorientada a respeito dos próprios direitos. Curiosamente, ela foi uma das últimas pessoas a saber sobre a morte do marido, que foi eletrocutado no meio da manhã, mas só foi informada pela cunhada por volta das 14h. Entretanto, embora compreensivelmente confusa, Nair garantiu que vai lutar pelos direitos dela e da filha a qualquer custo.
(Diário do Pará)
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