Duas pessoas saíram baleadas de um novo conflito envolvendo fazendeiros e sem terra, que aconteceu na terça-feira (09) em Curionópolis, sudeste do Pará. As vítimas foram atingidas quando estavam dentro de uma van. O clima ainda é tenso na região.
Os sem terra, cerca de 280 famílias, são ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e reivindicam três fazendas - “Marabá”, “Colorado” e “A Fazendinha” - onde alegam que estão acampados à margem desta propriedade desde o dia 11 de maio de 2009, ocasião em que montaram o acampamento “Frei Henri”.
Desde o final da semana passada, os sem terra saíram do acampamento e iniciaram a preparação do solo para o plantio no próximo inverno, contudo, um grupo de fazendeiros de Parauapebas e Curionópolis reprimiu a tiros a ocupação, segundo informou Carlos Alberto, conhecido como Tim Maia, e Isabel Rodrigues, coordenadores estaduais do MST na região. Ainda de acordo com os líderes, o grupo de fazendeiros está mantendo uma espécie de cerco aos sem terra que estão no acampamento.
BALEADOS
Guilherme Dias, morador de Goiânia, e Robson Barros, morador de Parauapebas, foram baleados dentro de uma van, que seguia pela PA-279 em direção a Marabá. O motorista teria tentado furar um bloqueio e alguns sem terra teriam atirado no carro e ferido dois passageiros.
O MST nega que tenha interditado a PA e que tenha havido tiroteio por parte do movimento. Confirmou, porém, que o grupo pleiteia as três fazendas, que juntas somam pelo menos 15 mil hectares.
Ele afirma que as propriedades são terras da União, passíveis de desapropriação ou arrecadação para destinação a trabalhadores rurais sem terra.
INCRA
O superintendente do Incra de Marabá, Edson Bonetti, informou que “A Fazendinha”, de aproximadamente 4 mil hectares, pertence à União. Segundo ele, o pecuarista Darlon Lopes Gonçalves Ferreira requereu a titulação da área, inicialmente no Terra Legal, em Marabá, mas o órgão negou o pedido, alegando que Darlon é assentado no Projeto Sereno e por isso não pode ter terras tituladas.
Por conta da decisão em nível de Marabá, o pecuarista recorreu e tramita um recurso na Secretaria Nacional de Regularização Fundiária, em Brasília. Por conta deste recurso o Incra, por enquanto, nada pode fazer para desapropriar ou arrecadar a fazenda.
Sobre as fazendas Marambaia e Colorado, que também são alvos de reivindicação dos sem terra, Bonetti disse que o pecuarista José Ulisses conseguiu a suspensão da desapropriação no Supremo Tribunal Federal (STF).
De sua parte, o Incra, de acordo com Bonetti, recorreu da decisão e aguarda julgamento deste recurso a fim de dar continuidade ao processo.
Enquanto há a briga nos tribunais, os sem terra se mantém em estado de alerta e podem reocupar a estrada novamente a qualquer momento.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar