Aposentados vinculados ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública no Pará (Sintepp) realizaram, ontem pela manhã, um protesto em frente ao Instituto de Gestão Previdenciária do Estado do Pará (Igeprev). O objetivo foi exigir do governo o pagamento retroativo do Piso Profissional Salarial Nacional (PPSN) referente aos meses de janeiro e fevereiro de 2012.
Em março do ano passado, após ser pressionado na Justiça, o governo efetuou o pagamento do piso no valor de R$ 1.451 para servidores inativos e pensionistas, que estaria pendente desde outubro de 2011.
Na época, ficou acertado que as diferenças dos meses de janeiro e fevereiro seriam pagas em setembro, outubro e novembro, mas nenhuma parcela foi quitada. Segundo o Sintepp, cerca de 15 mil aposentados deveriam receber o retroativo. O presidente do Igeprev, Allan Moreira, explicou que não há dinheiro em caixa, mas se comprometeu em regularizar a situação.
“Em novembro, o juiz da 3ª Vara da Fazenda (Marco Antônio Castelo Branco) deu tutela antecipada na ação que o sindicato ingressou contra o Igeprev. Esses retroativos já deveriam ter sido pagos. Desde outubro que a gente vem aqui e eles só enrolam a gente com reunião, prazos que não cumprem e ninguém dá uma posição definitiva. Queremos uma data certa para receber o que é nosso por direito”, disse Luiz Fernando da Silva, 67, representante dos aposentados no Sintepp.
Auxiliadora Rocha, 57, aposentada há seis anos, chama atenção para o fato de que apenas os servidores ativos foram beneficiados com os reajustes no piso anunciados pelo governo. “Eles deram aumento para 88% e esqueceram os 12%, que somos nós. O que nós queremos é uma solução. Nós também precisamos comer, nos manter, temos nossas necessidades. Isso é um absurdo com quem dedicou a vida ao magistério”, protesta.
Os manifestantes foram recebidos pelo presidente do Igeprev. Allan Moreira se comprometeu em realizar uma reunião, amanhã, com a Secretaria de Estado de Administração (Sead), Procuradoria Geral do Estado (PGE) e Sintepp para definir prazos e soluções para a demanda dos servidores. “O Estado foi muito prejudicado com a política de desoneração fiscal da União em 2012. O Fundo de Participação dos Estados (FPE) variou muito durante todo o ano. Como o pagamento do piso de pensionistas e aposentados é vinculado ao Finaprev, ele depende muito do Tesouro do Estado, que ficou comprometido”, explicou o presidente.
ENTENDA
O PSPN (Piso Profissional Salarial Nacional) é o valor abaixo do qual a União, Estados e municípios não poderão fixar o vencimento inicial das carreiras do magistério público da educação básica, para a jornada de, no máximo, 40 horas semanais, nos termos da Lei Federal nº 11.738/2008. Em agosto de 2011, o Supremo Tribunal Federal decidiu pela constitucionalidade da Lei, que também beneficia os servidores inativos e pensionistas do magistério.
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