“Minha mãe está morta. Mataram ela”, contou o filho de Joyce Souza Santos, de 24 anos, à proprietária da casa onde a vítima morou nos últimos quatro meses. No mesmo casebre que serviu como cenário dessa execução, uma adolescente de 17 anos teria levado pelo menos três tiros, mas sobreviveu graças à própria força de vontade, pois teria sido ela mesma quem pediu socorro desesperadamente até ser levada ao hospital. Os crimes aconteceram na Rua Primeiro de Maio, na ocupação Beira Rio, bairro Santa Clara, em Marituba, por volta das 16h30 de ontem.
A adolescente foi socorrida e encaminhada ao Hospital Metropolitano, onde ela teria contado à polícia que a motivação do crime seria passional. Ela e Joyce seriam companheiras de dois homens que se encontram presos. Entretanto, as duas teriam se envolvido com outros parceiros, recentemente assassinados em Castanhal. Esses últimos também teriam envolvimento com a criminalidade. Ela e a amiga teriam sido vítimas de uma ação coordenada pelos namorados atualmente encarcerados. A polícia não soube informar se a criança que presenciou tudo é filha de um dos suspeitos de ser mandante.
Ela ainda afirmou reconhecer um dos atiradores, que seria conhecido como “Maluquinho”, de prenome Diego. A filha da proprietária da casa afirmou que não podia imaginar que Joyce teria algum tipo de envolvimento com crimes. A maioria dos muitos curiosos que tentavam literalmente ‘brechar’ a casa pra ver se conseguiam enxergar algo na cena do crime não tinham intimidade com as duas, mas afirmaram que alguns homens eram vistos naquela casa, onde a adolescente não morava, embora estivesse dormindo lá há alguns dias. A criança foi apresentada à Seccional Urbana da Cidade Nova e deve ser encaminhada aos cuidados do Conselho Tutelar até que a tutela dela seja definida pelo Juizado da Infância e Adolescência, caso o pai esteja mesmo preso. A primeira equipe a chegar ao local foi a guarnição do sargento Reginaldo Favacho, do 21º BPM.
MOMENTOS DE PÂNICO
Joyce morava numa casa simples de madeira, dessas que são muito comuns em periferias e em interiores. Contando com apenas um cômodo, um ventilador velho, algumas caixas com roupa, uma cama e outros móveis eram distribuídos por lá. Os assassinos teriam adentrado o quintal aberto, sem qualquer cerca ou portão que dessem proteção. De costas para o banheiro também de madeira que ficava do lado de fora da casa, os dois teriam entrado pela porta dos fundos, que não estaria trancada, e acertaram a vítima na cabeça. Já a adolescente, alvejada várias vezes, ainda teve condições de correr e pedir ajuda, mesmo banhada em sangue. Tudo visto de perto por uma criança de nove anos.
A adolescente teria saído gritando por socorro. Implorava que a levassem dali porque os executores poderiam voltar e concluir o que começaram. Entretanto, o pedido dela acabou amedrontando os vizinhos, que por algum tempo fugiram dela. Houve até certo desespero quando longe, no início da rua, apareceram duas pessoas numa moto. Nesse momento houve fuga em massa de volta para às casas ou para qualquer lugar que parecesse esconderijo. Até que o filho de um mototaxista pegou a moto do pai por sua própria conta e a levou ao hospital de urgência e emergência de Marituba para depois ser transferida ao Hospital Metropolitano. Até o fechamento desta edição ela estava na sala de cirurgia, viva.
(Diário do Pará)
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