Para as vítimas é difícil falar no assunto, denunciar, saber que pessoas as quais conhece saberão aquilo que ela só deseja esquecer. Os crimes relacionados à violência sexual nem sempre são registrados, e ainda assim os números são elevados. Dados fornecidos pelo Sistema Integrado de Segurança Pública (Sisp) apontam 1.920 ocorrências policiais de casos de estupro no Pará em 2011; sofrendo um aumento em 2012, quando foram registrados 2.240 casos.
Os dados do primeiro semestre de 2013 ainda não foram divulgados pelo Sisp, mas o último final de semana de junho fez lembrar a importância do combate a essa violência e a necessidade de dar apoio à vítima para que ela denuncie. Foram cinco casos divulgados pela imprensa em apenas três dias. O caso que mais chamou atenção foi o de um homem encontrado no Portal da Amazônia, ponto turístico da capital paraense, com duas adolescentes – uma delas, amarrada pelo suspeito – na manhã do último sábado (29).
Em Terra Alta, nordeste paraense, um homem de 41 anos é suspeito de abusar de suas enteadas durante cinco anos. Mas não foi por esse motivo que a polícia o deteve na última segunda-feira (1º). Ele foi encaminhado para a delegacia após ameaçar a ex-mulher de morte e tentar raptar a filha do casal, de oito anos. Só então, a mãe das meninas relatou a violência sofrida por suas outras duas filhas. Ela mesma não sabia dos crimes, que foram a razão pela qual estava se separando do suspeito.
“Elas não me contaram porque eram ameaçadas e tinham medo que ele fizesse alguma coisa comigo. Durante 12 anos não sabia com quem vivia. Tive medo de morrer depois que descobri”, declarou a mãe das vítimas para imprensa. O relato dela coincide com muitos outros. O medo das crianças, também. No bairro do Jurunas, em Belém, um homem foi detido, na segunda (1º), suspeito de estuprar a cunhada. O crime ocorreu dentro da casa da vítima, que é a mesma do suspeito. Neste caso, ela pode contar com o apoio dos familiares para denunciar, inclusive da irmã, esposa do agressor.
“Está ficando muito perigoso. Nossas filhas saem, mas a gente fica preocupada. E o que a gente pode fazer? Viver preso?”, afirma a dona de casa, Eliana Duarte. Ela mora no conjunto Jaderlândia, em Ananindeua, onde outro caso foi registrado. A vítima seguia para uma mercearia quando foi puxada pelo suspeito para dentro de uma casa, onde estava outro homem. Segundo relato da adolescente, os dois tentaram estuprá-la, mas ao gritar por ajuda, ela foi socorrida pelos vizinhos.
A necessidade da população de fazer justiça diante de um crime considerado hediondo deixou o suspeito completamente machucado. Ele foi agredido pela vizinhança enquanto o outro homem conseguiu fugir. Em todos os casos, o suspeito foi detido e o inquérito instaurado, mas muitos casos permanecem e as vítimas estão por aí, em silêncio. “É muito difícil para uma mulher contar na frente de um policial, relembrar algo tão humilhante. Mas é assim que se dá o primeiro passo, que se faz justiça”, declarou uma das vítimas desse crime, que assim como outras, não deseja ser identificada, apenas seguir em frente.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar