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POLÍCIA

Outeiro: Família de rapaz assassinado pede paz

A família do pescador Carlos André do Nascimento Pimentel, 28, realizou ontem o velório e enterro do rapaz, morto na última terça-feira (16) com seis tiros. Ele foi atacado na frente da casa de seus pais, em Outeiro, na avenida Paulo Costa, bairro da Água

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A família do pescador Carlos André do Nascimento Pimentel, 28, realizou ontem o velório e enterro do rapaz, morto na última terça-feira (16) com seis tiros. Ele foi atacado na frente da casa de seus pais, em Outeiro, na avenida Paulo Costa, bairro da Água Boa, por quatro homens que chegaram em duas motos. Todos acreditam em um “acerto de contas” ligado à participação de Carlos na antiga torcida organizada do Clube do Remo, a Remoçada. Contudo, a família diz querer esquecer a desavença e viver em paz.

“Eu não vou nem procurar mais saber disso. A polícia pode fazer o trabalho dela, mas nós só queremos esquecer isso. Se cada lado continuar com essa coisa de vingança, isso nunca vai acabar”, declarou Raimundo Pimentel, pai da vítima. Há cerca de sete anos, o rapaz teria recebido ameaça por parte de torcedores da extinta Terror Bicolor, torcida organizada do Paysandú. “Ele estava em uma festa, em Icoaraci, e foi cercado por vários deles. Não sei onde ele conseguiu, mas puxou uma arma e tentou se defender como pôde”, conta o pai.

Da briga, resultou a morte de um dos agressores, e Raimundo conta que desde então o rapaz vinha recebendo ameaças. “Mas como ele era pescador, quase não parava em terra e eles não conseguiam encontrá-lo”. Nos últimos anos, o rapaz havia deixado de frequentar as reuniões da Remoçada e ia menos ao estádio. “Ele foi amadurecendo. E ele sempre foi pacifico, participava disso, mas não gostava de briga”, afirma.

O caso continua a ser investigado pela Seccional Urbana de Icoaraci. Nenhum suspeito foi identificado. Segundo testemunhas, todos estavam encapuzados.

DADOS DE 2012

Uma pesquisa divulgada em 2012 pela empresa Stochos Sports & Entertainment, voltada para o marketing esportivo, mostrou que de 1988, quando foi registrada apenas uma morte relacionada a torcidas organizadas, para os anos de 2007 e 2008, houve um crescimento assustador no número de homicídios, chegando a ser 11 em cada ano. Em 2009 e em 2010, esse número subiu para 21 mortes. E em 2011, o maior número, com 31 casos registrados. Até o primeiro semestre de 2012, Belém participava com destaque da pesquisa divulgada. Até aquele período, a capital paraense registrava oito mortes, enquanto a cidade do Rio de Janeiro apresentava 19 e São Paulo liderava o ranking vergonhoso com 25 vítimas.

Hoje, as torcidas organizadas conhecidas como Terror Bicolor e Remoçada teriam que estar desfeitas. Mas em seu lugar novas velhas torcidas se formaram – a Torcida Organizada Remista (TOR) e a Torcida Bicolor. Registradas em outros estados para tentar driblar a fiscalização. A verdade é que elas não são proibidas até serem extintas por lei. E ainda há sociólogos, que defendem o fato de que os “maus torcedores” são minoria dentro dessa organização.

(Diário do Pará)

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