Por toda a manhã de segunda-feira (28), peritos do Centro de Perícias Científicas Renato Chaves, por solicitação da Divisão de Crimes Funcionais da Corregedoria de Polícia, fizeram a reconstituição da morte do menino Daniel Urique Silva do Nascimento, de 2 anos.
Ele foi encontrado morto dentro de um balde, na casa onde morava, no bairro da Pedreira, e a vizinhança acusou o padrasto dele, o cabo da PM Humberto Lúcio Souza de Sena, 48 anos, de ter assassinado a criança, afogando-a no balde.
Lúcio chegou a ser preso pela Corregedoria, prestou depoimento e negou o crime. Sem provas, a Corregedoria o soltou, mas instaurou inquérito para apurar os fatos.
Um dos requisitos para dirimir dúvidas seria a reconstituição da morte da criança, o que ocorreu ontem, sendo que um laudo será expedido nos próximos dias sobre as conclusões dos peritos.
Por outro lado, ainda esta semana, deverá ser expedido o laudo da necropsia no corpo da vítima e isso também irá contribuir para uma avaliação da autoria ou não de um crime, na morte de Daniel.
Na manhã de ontem, na avenida Visconde de Inhaúma, entre as travessas Barão do Triunfo e Angustura, a mãe do menino, Haidée Lélia, 36 anos, e a avó materna Maria Silva do Nascimento, 56 anos, disseram que estavam com muitas saudades do menino e que esperavam ansiosamente pela conclusão do trabalho policial sobre o caso e não quiseram fazer uma acusação direta contra Lúcio.
Apenas Maria disse que o cabo batia em Daniel na ausência da mãe dele e que não gostava do policial militar.
Na reconstituição, a irmã da vítima, menina de 11 anos, foi peça fundamental, por ser uma das testemunhas do que ocorrera na noite do dia 31 de março.
Também esteve presente na kitnet onde ocorreu a morte da criança o cabo Lúcio, que prestou algumas informações aos peritos.
A imprensa não pôde acompanhar dentro da casa o trabalho dos peritos e do lado de fora da kitnet foram poucas as informações.
O delegado Elói Fernandes, diretor da Decrif, não quis se manifestar, dizendo apenas que a reconstituição tinha sido solicitada por ele.
Disse também que o caso estava sendo apurado sob sigilo e, assim, somente na conclusão do inquérito poderá falar sobre o caso, mas adiantou que o cabo Lúcio não estava indiciado no inquérito.
Mesmo sem se identificarem, alguns vizinhos voltaram a acusar o cabo Lúcio da morte da criança, dizendo que ele torturava a criança quando a mãe dele saia para o trabalho e que, na noite em que ocorreu o caso, o PM estava muito alterado dentro da casa.
(Diário do Pará)
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