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POLÍCIA

Rodoviários e passageiros vivem sobressaltados

O medo e o sobressalto são as sensações constantes de moradores e de rodoviários do bairro do Icuí Guajará, em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém, depois do assalto que terminou em uma tragédia na última quinta-feira, vitimando um cobrador de ônibu

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O medo e o sobressalto são as sensações constantes de moradores e de rodoviários do bairro do Icuí Guajará, em Ananindeua, Região Metropolitana de Belém, depois do assalto que terminou em uma tragédia na última quinta-feira, vitimando um cobrador de ônibus daquela linha. Agora, a medida que os rodoviários esperam das autoridades é a intensificação do policiamento e um ponto de apoio, principalmente nos finais de linha de locais que são tidos como perigosos, e não apenas no bairro onde o assassinato ocorreu.

O presidente do Sindicato dos Rodoviários de Belém, Edilberto Robson Ventania disse que muitas promessas foram feitas depois da morte do cobrador Johnny Siqueira, quando chegava até o final da linha, de manhã. “Disseram que irão implantar uma UIPP (Unidade Integrada do ProPaz) no Icuí, mas nós queremos resultados práticos e imediatos: um ponto de apoio no Icuí e em vários outros locais de risco, como na Pratinha, Tenoné, Arthur Bernardes, no 40 Horas e em outros locais”, afirmou.

Logo após a morte do rodoviário, muitos trabalhadores se reuniram em frente a um shopping, em Ananindeua e bloquearam a BR-316, em protesto contra a falta de policiamento próximo aos finais de linha e a falta de políticas públicas para a melhoria do serviço de transporte coletivo, em Belém e área Metropolitana, disse Ventania.

Ele afirmou que se as promessas feitas sobre as melhorias não forem concretizadas, os rodoviários pretendem intensificar as mobilizações e tomar medidas mais severas contra a omissão do Estado. “Aquilo que fizemos (bloqueio da BR-316) foi apenas para chamar a atenção da sociedade sobre a situação de assaltos a ônibus. Mas se nada for feito, na prática, iremos fazer uma grande paralisação, porque não somos nós apenas os prejudicados com os assaltos, mas toda a população que precisa desse meio para locomoção”, alertou.

Pelas ruas, próximo ao final da linha do Icuí foi comum encontrar pessoas com receio de sair de casa e acuadas. “A nossa sensação é de insegurança. Minha mãe passou por um assalto há algum tempo, mas agora nem sai de casa. Aqui falta policiamento. Agora, as viaturas estão passando pelas ruas principais, mas normalmente, elas não passam e sequer entram nas ruas mais afastadas”, contou a moradora Georgete Silva, 35.

A dona de casa Ana Rodrigues disse que toma todo o cuidado para não ser vítima de assaltos. “A gente corre risco toda hora. Desço na Rua Santa Fé, um pouco distante de casa e apanho um mototaxista para chegar em casa. Às vezes, tem só um passageiro que desce no Conjunto Arislândia, um dos locais mais perigosos do bairro e o motorista pede para cortar caminho para evitar assaltos, mas acaba indo deixa o passageiro nesse local e é assaltado”, disse.

NÚMEROS

Não se sabe o número de assaltos que já ocorreram só nos primeiros seis meses deste ano em Belém e Área Metropolitana, mas segundo o presidente Edilberto Ventania, esses dados são muito altos. “Há dois meses dizíamos que eram 300 assaltos que tinham ocorrido, mas em Ananindeua me deram esses números de 75, o que pode ser bem mais, porque já foi relatado que acontecem oito assaltos por dia, então, em dez dias, o total é de 80, imagina isso ao mês”, relatou.A verdade é que as pessoas estão desistindo de fazer boletins de ocorrência, já que a polícia nada faz. Só em casos de mortes ou feridos graves é que a polícia se mobiliza para prender os bandidos, por causa da repercussão negativa na imprensa.

(Diário do Pará)

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