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POLÍCIA

“Governo do Estado é o culpado”, diz Sindpol

Sem esconder a demora no desenvolvimento dos inquéritos instaurados, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Pará (Sindpol), Rubens Teixeira aponta que são vários os fatores que impedem a celeridade das investigações. Ele lem

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Sem esconder a demora no desenvolvimento dos inquéritos instaurados, o presidente do Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Pará (Sindpol), Rubens Teixeira aponta que são vários os fatores que impedem a celeridade das investigações. Ele lembra, ainda, que há casos de inquéritos que se arrastam há anos sem conclusão inclusive sobre morte de policiais. “Temos casos até mesmo de policiais que nunca foram esclarecidos. Tem o investigador Édson que foi morto na avenida 1º de Dezembro (atual avenida João Paulo II), o policial Haroldo que foi morto em Portel, o Lúcio Ferreira que foi morto na avenida Ferreira Pena por bandidos e até hoje não chegaram a prender todos os acusados”.

Segundo Rubens, 90% dos crimes registrados não chegam a ser concluídos. “Somente de 8% a 10% das investigações são chegam até o relatório final, à conclusão. 90% não são esclarecidos pela inércia do poder público que não faz concurso, que não lotam as delegacias 24h como deveria ser”, aponta. “Não existe investigação, apuração, nada... O problema acontece desde a autoridade que não faz com que os agentes desempenhem o seu trabalho como deveria ser. O Governo do Estado é o culpado”.

Sindicato dos Servidores Públicos da Polícia Civil do Pará (Sindpol), avalia a situação com preocupação. O policial Haroldo, morto em Portel, é parte da realidade de insegurança que a cada dia se agrava no Pará. (Foto: Divulgação)

Enquanto o problema do contingente suficiente de servidores para investigar e dar andamento aos processos não é solucionado, grupos como o Movimento pela Vida e Paz (Movida) acompanham cada vez mais famílias que tiveram algum parente vítima da violência. “São muitos casos. Cada vez mais crimes surgem porque o crime começa a se especializar e a não deixar provas”, alerta a fundadora e presidente do instituto, Iranildes Russo. “Um problema grave é o temor das testemunhas faz com que os crimes não sejam resolvidos. Hoje testemunhar um crime é como se fosse uma sentença de morte”.

Com a perspectiva de que o impasse na solução da grande maioria dos casos seja consequência do sistema de segurança pública como um todo, Iranildes teme que a situação se agrave cada vez mais. “As testemunhas correm risco, a polícia corre risco e até as autoridades julgadoras também correm risco em decorrência da fragilidade das nossas leis”, acredita. “Na polícia não tem contingente suficiente e nunca vai ter porque a própria polícia não tem bons salários e muitas vezes ficam sem poder fazer nada”.
O policial Haroldo, morto em Portel, é parte da realidade de insegurança que a cada dia se agrava no Pará.

(Diário do Pará)

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