O DIÁRIO teve acesso a um vídeo enviado por um internauta e que mostra o exato momento em que dois criminosos abordam uma mulher na calçada da casa dela, na rua dos Pariquis, entre as travessas Castelo Branco e 14 de Abril, no bairro do Guamá, e roubam seu veículo. O assalto aconteceu às 19h58 da última quarta-feira (05) e a ação durou aproximadamente um minuto (veja as imagens por meio do QR Code, na página 05). Ela descarregava compras que estavam no porta-malas do veículo, em frente à sua residência, quando dois homens, que caminhavam lentamente e mantendo certa distância para não levantar suspeitas, perceberam que a vítima estava sozinha e a abordaram. A mulher segurava uma bolsa e ofereceu resistência antes de entregá-la aos assaltantes. A vítima ainda tentou bloquear uma das portas do veículo, tentando impedir a fuga dos criminosos, mas foi empurrada para fora. Desesperada, ela gritava pedindo socorro enquanto os criminosos fugiam com o carro.
A partir dali, os assaltantes iniciaram uma sequência de assaltos pela cidade. E o desfecho foi trágico para um deles. O Prisma roubado que eles conduziam capotou na rodovia BR-316, no KM 06, enquanto era perseguido por uma viatura da Polícia Militar.
Os policiais foram acionados após receberem denúncia de que vários ladrões estariam cometendo assaltos com um carro naquela noite. Uma das vítimas do bando, que já estava reforçado com outros dois homens adultos e dois adolescentes, foi o artista plástico Rogério Silva, que mora no bairro do Souza.
“Éramos umas oito pessoas e estávamos sentados na frente de casa quando o carro freou em cima da gente. Um deles apontava a arma e parecia ser adolescente, enquanto os outros nos colocaram na parede e roubaram celular, carteira, bolsa e dinheiro”, contou o artista plástico. Já no Entroncamento, em direção a Ananindeua, o carro seguia em alta velocidade quando uma viatura da Polícia Militar que estava em ronda pelo local suspeitou que seria um assalto.
O subtenente da PM Reinaldo, da 3ª Companhia de Policiamento do 1º Batalhão da Polícia Militar, contou que ele e outros policiais viram o carro em alta velocidade e começaram uma perseguição. Um dos suspeitos atirou contra a viatura e os PMs reagiram e atiraram para o alto. “Até que eles perderam o controle do veículo, que capotou”, ressaltou o subtenente.
O Prisma capotou pelo canteiro central da BR-316, no Km 6, e parou na outra pista, no sentido contrário. Com o impacto, o homem que conduzia o veículo foi arremessado do carro e morreu no local. Ele foi identificado como Murilo Robson da Luz Souza , 20 anos. Já os outros dois adultos se identificaram como Leandro de Oliveira Pantoja, 25, e Erick Ryan Costa, 21. Contudo, esses são nomes falsos (leia mais na página 6). Além deles, dois adolescentes, de 12 e 13 anos, estavam no carro, mas conseguiram fugir.
PERIGO
Rua deserta e moradores escondidos por trás das grades. Este é o cenário da rua dos Pariquis, exatamente no perímetro em que uma mulher foi abordada por dois homens e teve o carro roubado na noite de quarta-feira. Morador do local há 48 anos, Claudio Vaz afirma que o perigo aumenta principalmente nos fins de semana. “Fica tudo deserto, nos fins de semana piora e os assaltantes aproveitam a situação. Vivemos por trás das grades, essa é nossa situação, infelizmente”, lamentou ele.
O assalto ocorreu a poucos metros de onde a costureira Cleide Pereira mantém um ateliê há mais de 20 anos. Ela disse que presenciou o assalto e que entrou às pressas no estabelecimento onde trabalha. De imediato, fechou a grade com o cadeado. “Infelizmente temos que viver assim, por trás das grades”, disse. Mesmo com a precaução e proteção, a costureira já foi assaltada três vezes. “Colocaram a arma e pediram minhas joias. Hoje venho sem nada e mesmo assim o medo permanece”.
Outra testemunha da ação de assaltantes, o segurança Eduardo Barbosa, 41 anos, descreveu o momento que os homens chegaram e efetuaram o assalto. “Desceram quatro de um táxi, primeiro saíram dois e em seguida foram outros dois. A menina sempre deixa o carro dela aqui, o veículo era novo, acho que não tinha duas semanas”, afirma. “Em seguida, ouvi os gritos dela. Ela ainda mediu forças com um dos bandidos, por sorte eles não reagiram”, completou.
Moradores denunciaram também a ausência da polícia no local. “A partir das 20h, isso aqui já começa a ficar deserto e dificilmente notamos a presença da polícia”, afirma Hamilton Castro, de 44 anos. Ele citou que os assaltos são constantes em qualquer horário do dia, mas ocorrem mais à noite.
“Tem uma faculdade aqui próximo, a maioria dos alunos estaciona os carros por aqui e acaba saindo tarde da noite, por volta das 22h. Os bandidos, então, se aproveitam. Os assaltos são constantes”, denuncia o segurança.
(Diário do Pará)
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar