Um dia após a execução de Jaime Tomaz Nogueira Júnior, 30 anos, dentro de um hospital particular, na rua Domingos Marreiros, no bairro de Fátima, funcionários e pacientes da unidade hospitalar ainda estavam perplexos com o crime.
Logo após o assassinato, o hospital suspendeu o atendimento aos pacientes, mas retornou os serviços ontem.
Segundo funcionários que não quiseram se identificar, a situação foi algo que eles nunca imaginaram que fosse acontecer no local de trabalho. “Não dá para acreditar. Isso prova que em lugar algum estamos livres dessa violência. Onde quer que a gente esteja, podemos sofrer com a violência”.
O medo tomou conta inclusive dos funcionários que não estavam de plantão no dia do assassinato. “Por sorte eu estava de folga, seria muito ruim passar por essa experiência”, disse uma funcionária. Ela afirma que sente terror ao imaginar o que os colegas dela que estavam de plantão passaram. “Inclusive alguns deles foram mantidos reféns pelos assassinos que entraram aqui para matar o paciente. A gente imagina que poderia ser muito pior”, afirmou uma funcionária.
O terror atingiu também os pacientes do hospital, assim como seus acompanhantes. Uma senhora, que também pediu para não ser identificada, acompanhava um parente que estava internado no 3º andar. Após os disparos, se trancou no quarto. “No início dos disparos eu pensei que fossem fogos de artifício. Mas, depois disseram que o hospital foi invadido por uns assassinos que mataram um paciente”, disse a mulher.
CRM
O Conselho Regional de Medicina do Pará (CRM/PA) emitiu um comunicado, na manhã de ontem, condenando a ação que resultou no assassinato do paciente. “ A violência que se instaurou nas unidades de saúde, seja pública ou privada, evidencia a necessidade de punições mais rígidas”, criticou.
O documento informa ainda que a classe médica e os demais profissionais de saúde do Pará, há algum tempo, não têm boas condições de trabalho, pela insegurança existente nos postos de saúde e hospitais.
O CRM/PA ainda cobrou do Governo de Simão Jatene uma apuração rigorosa para identificar os suspeitos, que até o fechamento desta edição não foram identificados. O CRM/PA disse ainda que está perplexo com a violência e a ousadia dos criminosos e que a ação violenta poderia vitimar mais pacientes e funcionários do hospital.
Polícia analisa câmeras de segurança do hospital
A Corregedoria da Polícia Militar e a Divisão de Homicídios da Polícia Civil estão investigando o assassinato de Jaime Nogueira. De acordo com informações preliminares já repassadas por testemunhas, 9 pessoas renderam a segurança particular do hospital, a escolta e efetivaram o homicídio, por volta das 21h de segunda-feira. Os homens teriam chegado de motocicletas e de capacetes.
As equipes da Polícia Civil já estão com as imagens das câmeras do hospital particular para prosseguir com as investigações e identificar os suspeitos. Durante o dia de ontem, guarnições da Polícia Militar tiveram aumento de efetivo.
O secretário estadual de Segurança Pública, general do exército Jeannot Jansen, informou que as investigações de apuração do crime também foram iniciadas na noite de anteontem. Sobre a possibilidade de revide, por parte de policiais militares, relacionado à morte do soldado Vitor Pedroso, o secretário disse que “é prematuro afirmar a participação de agentes, mas que é uma das linhas de investigação”.
O promotor de Justiça Militar Armando Brasil conversou ontem com o coronel Braga, corregedor-geral da PM e ficou decidido que será instaurado um Inquérito Policial Militar e será solicitado o acompanhamento do Ministério Público.
(Diário do Pará)
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