O cenário desenhado por uma longa faixa de areia, que recebe as ondas da Baía do Guajará, faz da ilha de Caratateua, mais conhecida como Outeiro, distrito de Belém, uma atração à parte. Formada por praias de água doce, conta durante o ano todo com um número grande de banhistas, sobretudo as praias Grande, Brasília e Amor, já que está localizada há apenas 25 quilômetros da capital. Apesar disso, o distrito tem ganhado como preocupação a crescente violência, e se torna mais uma localidade assolada por esse problema. Nos últimos dias, por exemplo, vários homicídios foram registrados no Outeiro, que indicam as marcas da insegurança no distrito.
Essa situação atinge os moradores da ilha, que atribuíam à ilha um local de total tranquilidade. “Aqui já foi muito tranquilo, para se morar e para se divertir. Mas, agora com toda essa violência onde ninguém tem amor ao próximo, essa tranquilidade é coisa do passado e estão apenas nas nossas lembranças”, disse Renato Maciel, 63 anos, morador do Outeiro há 35 anos.
Da tranquilidade à insegurança, restou a preocupação aos moradores de Outeiro. “Já não temos mais o que fazer sobre isso. A bandidagem já tomou conta dos bairros de Outeiro, é por isso que têm acontecido essas mortes aqui. Mas, o problema é maior porque essa situação tira o sossego de quem é do bem”, desabafou Ivan Alencar, 69 anos, aposentado.
A insegurança também está presente nas praias do distrito. Sempre lotadas, principalmente aos finais de semana, elas acabam se tornando locais de ocorrências policiais. “Os banhistas não têm sossego, nem os donos das barracas por causa da bandidagem. Outro dia, 2 pessoas foram mortas no calçadão da praia do Amor, sem falar que toda semana acontecem mortes em Outeiro”, disse Clara Antunes, moradora do bairro Água Boa.
Para os moradores, o pouco número de policiais favorece os crimes. Além disso, ainda de acordo com a população, nem mesmo a delegacia do distrito presta um serviço que atenda as demandas da insegurança. “Falta mais policiamento nas ruas com rondas mais ostensivas. Para piorar, temos uma delegacia que depois das 18 horas fecha e abre só no outro dia. Qualquer ocorrência que soframos temos que ir registrar em Icoaraci”, desabafou José Pinho, morador de São João do Outeiro.
NOTA
Por meio de nota, a assessoria de comunicação da Polícia Civil informa que tem atendimento em expediente e também em plantão. Aos finais de semana, a Delegacia atende da seguinte forma: No sábado, a partir de 8h da manhã, domingo todo, e de 8h de segunda-feira até às 8h da manhã de terça-feira.
“A Delegacia de Outeiro conta com policiais civis em sistema de plantão remunerado, ou seja, são policiais que trabalham no expediente de outras delegacias e que atuam de forma voluntária no plantão da Delegacia, recebendo, para tanto, uma remuneração adicional chamada plantão remunerado.
O atendimento em regime de plantão remunerado, em Outeiro, diz ainda a nota, “funciona também na segunda-feira, por conta das festas realizadas costumeiramente às noites de segundas-feiras, na área da Praia Grande, que atraem um volumoso número de pessoas e, com isso, existe a tendência do aumento do número de ocorrências policiais”.
Nos demais dias da semana, informa ainda a assessoria, o atendimento é em regime de expediente com equipe completa (delegado, escrivão e investigadores), de segunda à sexta-feira até 18 horas.
“A Delegacia de Outeiro também conta com suporte de outras Delegacias nos arredores, como a Seccional Urbana de Icoaraci, a Delegacia de Homicídios de Icoaraci e as Unidades Integradas Pro Paz do Tenoné e do Tapanã, que também pertencem ao distrito de Icoaraci, e que podem prestar auxílio, por meio de seus policiais civis, em eventuais ocorrências na ilha de Outeiro, caso seja necessário”, finaliza a nota.
(Alexandre Nascimento/Diário do Pará)
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