Dois flagrantes ocorridos em pontos diferentes da Avenida Pedro Álvares Cabral foram registrados na manhã de anteontem (16), na Seccional da Sacramenta, em Belém. Francinaldo Agostinho Coelho, de 24 anos, pretendia matar um homem, mas foi abordado antes por policiais militares. Houve troca de tiros e ele tentou fugir, mas foi capturado e preso. Já Ronaldo dos Santos Fonseca, 29 tentou assaltar uma mulher e chegou a esfaquear a vítima. Também tentou fugir, mas foi agarrado e surrado por populares, até a chegada dos policiais.
O primeiro caso aconteceu na Ponte do Barreiro, esquina com a avenida Pedro Álvares Cabral, no bairro do Telégrafo. O sargento J. Ferreira e soldado Joel, da 4ª Companhia do 1º Batalhão de Polícia Militar, faziam ronda quando viram um mototáxi, com passageiro, e resolveram fazer abordagem de verificação.
“Demos ordem de parada e o mototaxista parou. Ele (Francinaldo) pulou do carona e correu pela feira. Larguei o volante da viatura e corri atrás dele. Ele virou e atirou contra mim. Como ele entrou na feira e tinha muita gente, pedi a moto de um cidadão para ir atrás dele”, relatou o soldado PM Joel. A perseguição terminou na passagem Cabral, onde mais policiais já faziam o cerco do fugitivo e o prendeu.
O mototaxista também foi levado à Seccional do Telégrafo para prestar esclarecimentos. Com medo de se identificar por trabalhar em uma área de risco, ele contou que parou na abordagem sem imaginar que estava levando um homem armado. “O acusado já estava sem camisa, então não imaginei que ele tinha uma arma. Foi quando ele já saiu e atirou. Eu fiquei ali parado, sem saber o que fazer”, relatou a testemunha.
Na delegacia, Francinaldo disse, em entrevista, que se “agoniou” quando a polícia o parou e que arma usada por ele, um revólver calibre 32, seria usada para matar outro homem. “Eu queria matar ele (o desconhecido que estava indo encontrar). Ele deu 4 tiros em mim, passei 8 meses internado sem ver o meu filho, sem poder comprar uma fralda, deixei minha mulher sozinha. Peguei uma arma emprestada para matar ele. Fui tomado pelo ódio, mas aconteceu isso aí”, falou.
Ainda segundo ele, a briga com o desafeto teria se iniciado por causa de uma “desavença” no bairro do Barreiro, em Belém. A arma usada por Francinaldo não foi encontrada. Segundo ele, durante a fuga deixou o revólver cair no chão. “Bati no ombro de uma mulher e a arma caiu e eu não ia parar para pegar porque a polícia estava atrás de mim”, disse ainda. Ele foi autuado por tentativa de homicídio, conforme informou o delegado Klelton Mamed.
“Ele não quis falar de quem pegou a arma emprestada e, segundo ele, efetuou um disparo na direção do policial, o que configura a tentativa de homicídio. Estamos em busca da arma no local onde ele diz que deixou cair, mas pelo próprio relato dele, do PM e do mototaxista é possível fazer a autuação”, explicou o policial civil.
FACADAS
Enquanto isso uma vigilante de 29 anos, que preferiu não se identificar, lutou contra Ronaldo Fonseca. Segundo a vítima, ela caminhava na Pedro Álvares Cabral, esquina com a rua Coronel Luiz Bentes, também bairro do Telégrafo, quando percebeu que era observada e depois perseguida pelo homem. Ela levava o celular no bolso das calças, que foi o alvo.
“Aí ele já veio para cima de mim com a faca no meu rosto para me furar: ‘eu quero teu celular, vou te furar’ e eu falava pra ele me soltar. Eu me defendi muito e não sei como até as minhas calças se rasgaram”, acrescentou a vítima.
Ela teve pequenas perfurações no nariz, mãos e braço, sem gravidade. Com a confusão, Ronaldo decidiu fugir pegando um ônibus, mas foi retirado à força por populares, que o agrediram fisicamente. “Eu fiz sinal para as pessoas que já me conhecem ali e retiraram ele de dentro ônibus. Ele apanhou muito, queriam até queimar ele, eu que já pedi para parar”, contou a vigilante. Uma viatura da PM passa pelo local e presenciou a situação. “Havia um tumulto com pelo menos 40 pessoas na rua e achei que fosse algum acidente. Fomos chamados pela vítima e quando vimos ele já estava sentado no centro”, contou o cabo PM Erick Araújo, da 1ª Companhia do 1º BPM. O delegado Kleton Mamed autuou Ronaldo por crime de tentativa de roubo.
(Emily Beckman/Diário do Pará)
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