Inseguro. É assim que os moradores definem o dia a dia de Belém. Os relatos de casos de violência e o medo se proliferam na capital. “Um cara desce de uma moto e aponta uma arma para a sua cabeça. Só resta pedir proteção a Deus para não morrer”. O desabafo é da auxiliar administravo Dilcélia da Silva, 34, ao relembrar momentos traumáticos vividos há 3 meses, durante um assalto no qual ela escapou da morte.
O ponteiro do relógio marcava 21h de sábado, quando a mulher, que caminhava pela travessa 14 de Março, no Umarizal, foi surpreendida por dois homens em uma motocicleta. Armado, o homem sentado na garupa desceu da moto e ameaçou atirar na cabeça da vítima que, imediatamente, entregou seus pertences. Não satisfeito, um deles a empurrou e fugiu. Dilcélia ficou com a perna esquerda presa em um bueiro destampado. “Eu saio na rua com medo, sem saber se volto para casa”, declara Dilcélia, que mora no bairro nobre do Umarizal.
SEGURANÇA PRIVADA E SEQUELAS
Juntamente com outros vizinhos, Dilcélia paga todo mês pelo serviço de vigilância privada para fazer a segurança noturna da área onde reside. A vítima passou 2 meses afastada do trabalho e se locomovendo com o auxílio de muletas. Por ter machucado o joelho, ela segue fazendo fisioterapia no local atingido pela queda.
Ordem dos Advogados convoca audiência pública para debater situação de violência
A Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) entende que não é possível definir uma tolerância ao número de mortes e acredita em “combater de forma incansável” o problema. Já a Comissão de Direitos Humanos da Seccional Pará da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/PA) convoca para esta quinta-feira (26), uma audiência pública para debater o assunto.
Ainda no sábado (21), a Comissão divulgou, em redes sociais, uma nota de repúdio à situação, lamentando a morte do PM Rafael da Silva Costa e “a onda de extrema violência após o ocorrido”.
RELATÓRIO
O presidente da Comissão de Direitos Humanos, advogado José Araújo de Brito Neto, vê com preocupação o cenário atual de violência em todo o Pará. Neto lembra que, no fim de 2014, ao início de 2015, a Assembleia Legislativa entregou ao Governo o relatório oriundo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou a atuação de milícias no Estado.
“E praticamente nada o Estado fez. Chegou a negar alguns dados”, recorda. “Hoje nós vamos oficiar todos os órgãos, acionar todos os que trabalham pela defesa dos Direitos Humanos para uma audiência no dia 26”, diz. “Chamaremos inclusive familiares de vítimas que queiram contar o que passam”, adianta o advogado.
(Pryscila Soares e Carolina Menezes/Diário do Pará)
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