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POLÍCIA

Assaltantes de ônibus agora escolhem “flashes”

A exigência foi clara: queriam apenas 2 emissoras de televisão e nada de veículos de comunicação impresso e portais de notícias. Dessa vez, os assaltantes não exigiram “coca-cola”, mas pediram água, colete a prova de balas e uma ambulância para socorrer a

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A exigência foi clara: queriam apenas 2 emissoras de televisão e nada de veículos de comunicação impresso e portais de notícias. Dessa vez, os assaltantes não exigiram “coca-cola”, mas pediram água, colete a prova de balas e uma ambulância para socorrer a mãe de um deles, que passou mal ao ver o filho fazendo passageiros de ônibus como reféns, ontem de tarde. As negociações para liberar os reféns duraram 49 minutos, segundo agentes da Guarda Municipal de Belém que ficaram na linha de frente da situação. O terror mais uma vez se repetiu em Belém.

Dhoni Ferreira de Souza, 29, e Edielson Pessoa Nunes, 20, foram presos depois de tentarem assaltar um ônibus da linha “Icoaraci Ver-o-peso” que seguia pela Avenida Arthur Bernardes. O crime foi abortado por guardas municipais de Belém, que foram avisados pelo motorista do coletivo sobre o assalto. Encurralados, os ladrões fizeram 2 passageiros de reféns e só liberaram as vítimas depois de uma série de exigências consideradas ultrajantes.

Dhoni e Edielson - nomes com que se apresentaram à Polícia - foram conduzidos até a Seccional de Icoaraci, onde ficaram de ser autuados por roubo qualificado. Hoje (12), eles serão submetidos a audiência de custódia e caberá à Justiça decidir se a prisão em flagrante passará a ser preventiva. A dupla já possui uma vasta ficha criminal.

Na imagem, os 49 minutos de tensão, tempo que duraram as negociações. (Foto: Mário Quadros)

Motorista jogou ônibus contra viatura da Guarda Municipal

O motorista do ônibus Erasmo Souza, 48, ainda muito nervoso, contou que seguia em direção a Icoaraci quando, na rotatória da avenida Arthur Bernardes com a Estrada do Tapanã, um portador de deficiência física fez sinal para o ônibus. “Então, parei para o rapaz subir, mas quem subiu foram os 2 assaltantes”, relatou o rodoviário. “Um deles, que estava de camisa amarela (Dhoni), já foi logo apontando a arma para minha cabeça e mandou eu seguir viagem”, lembrou, assustado.

Em seguida, o outro criminoso, Edielson, que estava armado de uma faca, pulou a roleta e exigiu os aparelhos de telefone celular e joias dos passageiros. A renda do coletivo também foi roubada.

A ação truculenta da dupla durou até a ponte do Rio Paracuri, na Arthur Bernardes. Foi quando o motorista do coletivo viu uma viatura da Guarda Municipal, acendeu o farol e jogou o ônibus em direção ao carro. Os guardas perceberam o nervosismo do rodoviário e interceptaram o ônibus.

“Quando um deles (assaltantes) viu a Guarda Municipal, gritou para o outro que tinham ‘perdido’”, disse o comerciante Ednaldo Serra, 38, um dos passageiros assaltados. “O outro respondeu que não tinham ‘perdido’ nada e que poderiam correr para o mato”, completou. Contudo, sem saída, eles pegaram 2 homens reféns.

Pela descrição de Ednaldo, o assaltante que gritou “perdeu” foi Dhoni, que estava com o revólver em punho. Edielson estava com a faca. A mesma descrição sobre os 2 foi feita pelo motorista do ônibus.

Vale ressaltar que a avenida Arthur Bernardes sempre aparece na lista das mais perigosas de Belém quando se trata de assaltos a coletivos.

Para pedir socorro, motorista jogou o coletivo em cima de uma viatura da Guarda Municipal de Belém. (Foto: Mário Quadros)

Negociações foram conduzidas por agentes da Guarda Municipal

O guarda municipal Eduardo Melo foi quem esteve à frente das negociações com Dhoni e Edielson. “Eles estavam muito nervosos e a nossa preocupação era com a vida e integridade das vítimas”, descreveu o agente da GMB. Policiais militares e do Comando de Operações Especiais (COE) também participaram do esquema de segurança. Eduardo ressaltou que a guarnição que impediu a conclusão do assalto voltava de uma ação em Outeiro. “A equipe passava pelo lugar certo e na hora certa”, frisou.

O GMB comentou que a negociação para que os acusados soltassem os reféns e se entregassem durou exatamente 49 minutos. “Pediram água, colete e uma ambulância (Samu) para socorrer a mãe de um deles que passou mal”, enumerou.

Eles também pediram a presença da imprensa, mas queriam apenas duas emissoras de televisão. Os familiares dos acusados acompanharam as negociações e também foram até a Seccional de Icoaraci saber o que seria feito com Dhoni e Edielson.

A delegada Flávia Leal, diretora da unidade, informou que as equipes da Polícia Civil só iam dar informações depois de colher o depoimento de todas as vítimas (passageiros do ônibus) e dos acusados.

Ambos os criminosos já tinham passagens pela polícia

Dhoni Ferreira de Souza, de 29 anos, já responde a dois processos na Justiça. Um deles por roubo majorado, que tramita na 9ª Vara Criminal de Belém. O outro processo é por porte ilegal de arma, que tramita da 2ª Vara Criminal.

Já o envolvimento de Edielson Pessoa Nunes, de 20 anos, com o mundo crime começou quando ele ainda era adolescente. Ele já respondeu pelo ato infracional por roubo majorado. Depois de adulto, foi preso pelos crimes de furto qualificado, tráfico de drogas e porte ilegal de arma de fogo.

(Denilson D’almeida/Diário do Pará)

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