Pode ser concluído até a próxima terça-feira (8), o laudo das analises e perícia feita nos materiais explosivos que foram utilizados para na fuga de 27 presos do Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I), na Região Metropolitana de Belém, no último dia 30 de junho. Os explosivos foram apreendidos em uma residência no bairro do 40 horas, em Ananindeua, e na ocasião 6 pessoas foram presas e levadas para a Divisão de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), que investiga o caso. O laudo técnico vai subsidiar o inquérito aberto pelo delegado Evandro Moreira.
O material está sendo analisado no próprio quartel da Companhia Independente de Operações Especiais da Polícia Militar (COE) e as avaliações sendo feitas junto com uma equipe do Exército e Centro de Perícias Científicas Renato Chaves. No total, são 22 cartuchos brancos de emulsão, 11 metros de fio para cordel detonante e mais 7 metros de estopim (um segmento de pólvora enrolado ou protegido por fio ou fita) usado para acionar a bomba. Cada um dos 22 cartuchos (ou banana) pesa cerca de 400 gramas, o que resulta num total de quase 9 Kg de explosivo.
O explosivo usado na operação que resultou na fuga de bandidos é o mesmo tipo utilizado no arrombamento de caixas eletrônicos e agências bancárias. E também o mesmo usado em minas (atividades de mineração), pedreiras e na implosão de edifícios, conforme afirmou o capitão PM Diefferson Cardoso, chefe do Esquadrão Contrabombas da COE.
PRIMEIRO CASO
O oficial tem 25 anos de experiência nessa área e destacou que esse foi o primeiro caso em que uma fuga de bandidos se deu depois da explosão de uma das muralhas de um presídio, no Pará. “Isso não quer dizer que em tempos pretéritos não houve essa intenção, mas o serviço de inteligência da Polícia conseguiu se articular e evitar nas ocasiões anteriores”, comentou o capitão PM Diefferson.
Em relação à operação que levou a polícia até o restante do material explosivo, o militar relatou o uso de cães farejadores que ajudaram a polícia a localizar o endereço dos suspeitos. “E os cães encontraram os explosivos e drogas na casa. E então a COE foi acionada”, disse. Inclusive, 2 casas vizinhas tiveram de ser evacuadas no momento da apreensão dos materiais, por causa do risco de explosão.
Bombas foram fabricadas 3 meses antes do ataque, diz oficial PM
Pelas primeiras análises dos materiais constatou-se que as bombas foram feitas em abril desse ano, ou seja, 3 meses antes do ataque. E isso sugere que a ação e o planejamento da fuga dos 27 presos do Presídio Estadual Metropolitano I (PEM I), de Marituba, foram articulados com antecedência pela quadrilha. O detalhe é que qualquer pessoa pode confeccionar uma bomba. O “passo a passo, infelizmente, pode ser encontrado em sites na internet.
“Se você olhar o cordel vai verificar que tem uma numeração nele. É por este número que o Exército vai fazer um rastreamento e chegar a empresa que vendeu o material e para qual finalidade”, atentou o capitão PM Diefferson Cardoso. “Se a empresa disser que foi assaltada ou teve o produto roubado terá de explicar o motivo de não ter registrado o Boletim de Ocorrência Policial e vai responder também por isso”, prosseguiu o oficial.
No Brasil, a comercialização de produtos explosivos é feita mediante a autorização do Exército. Existe um decreto que a regulamenta. “A compra do material tem que ser autorizada e o documento dado pelo Exército”, respondeu o capitão do esquadrão antibomba da PM, ao ser questionado se é fácil a compra e venda destes tipos de materiais explosivos.
BANCOS
Apesar de surpreendente o fato é que bandidos usaram explosivos para estourar a parede de um presídio e facilitar a fuga de 27 detentos. Este tipo de armamento já é comum por diversos grupos criminosos que atuam no Pará e que praticam assaltos e roubos a agências bancárias e caixas eletrônicos. “99% dos explosivos usados no arrombamento de caixas eletrônicos e bancos são do tipo emulsão, iguais a estes usados na fuga do PEM I”, desfechou o capitão PM Diefferson Cardoso.
De domingo (30) para cá houve 2 casos de agências bancárias que tiveram os caixas eletrônicos explodidos durante assalto, nos municípios de Medicilândia, no sudoeste, e Sapucaia, região sudeste do Pará.
(Denilson D`almeida)
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