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Bolsonaro passeia de moto e volta a defender voto impresso

Sem apresentar provas, Jair Bolsonaro afirma, desde o início de seu mandato, que as eleições de 2018 foram fraudadas.

domingo, 09/05/2021, 13:25 - Atualizado em 09/05/2021, 13:25 - Autor: Augusto Rodrigues, com informações de Eduardo Militão, do UOL


Em passeio de moto pelas ruas de Brasília, Bolsonaro defendeu voto impresso nas eleições de 2022
Em passeio de moto pelas ruas de Brasília, Bolsonaro defendeu voto impresso nas eleições de 2022 | Reprodução - Facebook

O artigo 16 da Constituição Federal de 1988 define que a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência. A determinação segue dois princípios consagrados por todo o texto constitucional: a segurança jurídica e a anterioridade.

Faltando 510 dias para as eleições de 2022, o presidente Jair Bolsonaro insiste no estabelecimento de voto impresso para o próximo pleito. "Ganhe quem ganhar, mas na certeza e não da suspeição da fraude", disse ele, depois de um passeio de motocicleta neste domingo de Dia das Mães (8). "Não podemos admitir isso porque o voto é a essência da democracia."

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Bolsonaro estava sem máscara, assim como vários políticos ao seu lado, diante de uma aglomeração de pessoas no Palácio da Alvorada. O presidente ganhou um beijo da deputada Bia Kicis (PSL-DF), a quem chamou de "mãe do voto auditável". 

Sem apresentar provas há 14 meses, Bolsonaro disse nos Estados Unidos que houve fraude nas eleições de 2018. Segundo ele, a vitória foi no primeiro turno. A Polícia Federal, o Ministério Público e o Tribunal Superior Eleitoral tampouco identificaram qualquer adulteração nos votos.

Numa ação judicial em São Paulo, a Procuradoria da República cobrou que o presidente apresente as provas da acusação que fez há mais de um ano. Bolsonaro venceu eleições nos últimos 30 anos, a maior parte delas com o uso da urna eletrônica. Desde 2018, passou a desacreditar o mecanismo de votação. 

Em Brasília, uma comissão especial para analisar proposta de mudança na Constituição para a criação do voto auditável será criada na Câmara. Pela proposta, da deputada Bia Kicis, uma cédula seria impressa depois que o eleitor apertasse os botões na urna eletrônica.

As pesquisas de opinião, como Datafolha e Datapoder, identificaram índices de popularidade mais baixos de Bolsonaro no início do ano e intenção de voto para Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre os opositores do presidente, o temor é que ele não reconheça o resultado das eleições de 2022 caso venha a perder a disputa pela reeleição.


Voto impresso seria o “caos”, afirma presidente do TSE

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Luís Roberto Barroso , afirmou em entrevista à Globo News na última quinta-feira (6), que o voto impresso, atualmente em discussão no Congresso Nacional, poderia criar um "desejo imenso de judicialização" do resultado das eleições no Brasil. "Vamos criar o caos no sistema que funciona muitíssimo bem", disse.

Barroso afirma que a credibilidade do sistema eleitoral brasileiro é alta, pois o sistema de urnas eletrônicas é transparente, podendo ser conferido em todos os seus momentos por partidos e pelo Ministério Público.

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