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COMO LULA EM 2006

Bolsonaro diz que só deve participar de debates no 2º turno

Bolsonaro acredita que receberá "pancada" de todos os candidatos sem ter tempo para se defender nos debates do 1º turno

terça-feira, 31/05/2022, 22:44 - Atualizado em 31/05/2022, 22:42 - Autor: Marianna Holanda/Folhapress

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Em novembro do ano passado, o presidente havia dito que participaria dos debates
Em novembro do ano passado, o presidente havia dito que participaria dos debates | Divulgação

O presidente Jair Bolsonaro (PL) disse nesta terça-feira (31) que deve participar de debates eleitorais, mas apenas do segundo turno.

Ele afirmou que evitará participar no primeiro turno por acreditar que receberá "pancada" de todos os candidatos sem ter tempo para se defender.

Em 2018, Bolsonaro compareceu apenas a dois debates no primeiro turno. Depois, justificou a ausência devido à facada que recebeu no dia 6 de setembro daquele ano.

"No segundo turno, vou participar. Se eu for pro segundo turno, devo ir, vou participar", disse em entrevista ao programa do Ratinho.

"No primeiro turno, a gente pensa, porque, se eu for, os dez candidatos ali vão querer o tempo todo dar pancada em mim e eu não vou ter tempo de responder pra eles", completou.

Se adotar essa estratégia, o atual presidente repetirá a tática de Lula (PT) em 2006, que em sua tentativa de reeleição naquele ano só foi a debates após a primeira votação.

Nesta terça, Bolsonaro defendeu ainda que as perguntas deveriam ser acertadas previamente entre a organização do debate e os candidatos, "para não baixar o nível".

Normalmente, as perguntas feitas por organizadores não são previamente informadas aos candidatos durante os debates. Além disso, os próprios candidatos costumam ter tempo para fazer perguntas entre si.

Bolsonaro está em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto, atrás de Lula.

Em novembro do ano passado, o presidente havia dito que participaria dos debates, mas não responderia a perguntas sobre familiares e amigos.

No último Datafolha, Lula liderava a disputa com 48% das intenções de voto, contra 27% de Bolsonaro.

Há quatro anos, o então candidato Bolsonaro recebeu alta do hospital Albert Einstein no dia 29 de setembro de 2018, fez sete transmissões ao vivo nas redes sociais, deu nove entrevistas à imprensa, gravou programas eleitorais e participou de um evento com seus apoiadores no Rio de Janeiro.

O candidato, porém, declinou o convite para participar de debates marcados para o segundo turno, em outubro: na Band, na Gazeta, na Rede TV!, na Folha de S.Paulo (em parceria com UOL e SBT) e na Globo.

O comando da campanha de Lula também pretende restringir a participação do petista em debates neste ano. Ele vai propor aos adversários a realização de debates em pool de órgãos de imprensa, a exemplo do que ocorre nos Estados Unidos.

Pela proposta, já defendida publicamente por Lula, a ideia é que sejam dois debates no primeiro turno e um no segundo.

O plano é que a presidente nacional do PT, deputada Gleisi Hoffmann (PR), apresente a proposta aos partidos adversários, cabendo aos coordenadores de comunicação da campanha, o deputado Rui Falcão (SP) e o prefeito Edinho Silva, a negociação com os veículos de imprensa.

Em janeiro, Lula defendeu a ideia durante entrevista a uma emissora de rádio do Pará. Na ocasião, o ex-presidente publicou seu argumento nas redes sociais.

"Eu acho que tem que ter um pool de TVs para fazer dois ou três debates, porque não dá para atender cada TV, rádio, rede social, se não a gente se tranca no estúdio. Os debates são importantes para que a sociedade possa fazer a avaliação de que tipo de candidato ela deseja", publicou.

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