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Síndrome pós-Covid: confira cinco sequelas da doença

Dados analisados em ambulatório de hospital apontam que 90% dos pacientes entre 24 e 76 anos apresentam fadiga e 85% tiveram uma grande perda de massa muscular

quarta-feira, 02/06/2021, 14:49 - Atualizado em 02/06/2021, 14:51 - Autor: Com informações da assessoria


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| Peter Ilicciev/Fiocruz

Uma doença complexa, sistêmica e imprevisível. Esses desafios que fizeram parte da maioria das pesquisas para compreender o comportamento do coronavírus, logo no início da pandemia, agora se refletem também na busca por explicações para os sintomas que permanecem em alguns pacientes da Covid-19 por meses.

Distúrbios cardiovasculares, metabólicos, gastrointestinais, neurológicos, anemia, dores e cansaço são algumas das sequelas observadas por um dos maiores estudos sobre o tema, publicado em abril na revista Nature. De acordo com os pesquisadores norte-americanos, os pacientes da Covid-19 tendem a continuar demandando recursos de saúde devido a essa série de manifestações clínicas. 

De acordo com os dados alcançados e analisados, 90% dos pacientes entre 24 e 76 anos apresentam fadiga, 85% tiveram uma grande perda de massa muscular, 70% tiveram dispnéia e 50% tiveram cefaléia. São sequelas que permaneceram mesmo após um mês de recuperação da Covid-19.

“Logo no começo da pandemia nós percebemos que seria necessário um espaço especializado para tratamento das possíveis sequelas da Covid-19 nos pacientes. Certos disso, criamos o ambulatório para prestar atendimento gratuito aos pacientes e ainda contribuir com os avanços das pesquisas, ajudando a mapear o vírus e as sequelas mais comuns e severas da doença. O ambulatório une serviço, pesquisa e educação”, diz a pesquisadora do ambulatório do Hospital Universitário Cajuru, Cristina Baena. 

Confira algumas das sequelas que pesquisadores ao redor do mundo estudam atualmente para entender se são temporárias ou permanentes: 

Demência

O comprometimento neurológico causado pelo coronavírus pode ser grande. Uma das explicações é que o vírus penetra no sistema nervoso central, afetando neurônios e células da glia, induzindo várias patologias como isquemias, sangramentos, dores de cabeça, tonturas e perda do olfato. Algumas pesquisas levantam a possibilidade de danos cognitivos nos pacientes.

“A doença de Alzheimer tem como fisiopatologia uma resposta inflamatória, assim como o coronavírus. Isso significa que a Covid-19 pode acelerar o processo de inflamação no sistema nervoso central e, por consequência, acelerar um quadro demencial latente”, explica o neurologista Carlos Twardoswchy.

Doenças hepáticas

A Covid-19 pode afetar o fígado de duas formas: uma semelhante a uma hepatite e, outra, a uma colangite. Em relação ao padrão de colangite, sabe-se que as células das vias biliares têm uma quantidade semelhante de receptores para entrada do vírus (ACE2) que as pulmonares. Desta forma, a Covid-19 pode afetar com bastante agressividade o fígado, especialmente se o paciente já tiver alguma doença hepática crônica.

“As queixas podem ser icterícia (“amarelão”), coceira, náuseas e evoluir com a descompensação da doença hepática crônica, aumentando a taxa de mortalidade”, explica o hepatologista Jean Tafarel.

AVC e trombose 

O cardiologista e intensivista de UTI Covid, Paulo Negreiros, explica que pacientes hipertensos correm mais riscos de desenvolver tromboses após a infecção da Covid-19.

“O coronavírus desregula a pressão dos hipertensos, mesmo com uso de medicamento. O vírus pode facilitar a formação de coágulos que levam à possibilidade de evoluir para complicações como AVC e infarto”.

TOC

Estresse pós traumático, transtornos de ansiedade e depressão também têm sido comuns em pacientes que ficaram mais tempo internados para o tratamento da Covid-19. Além disso, os casos de transtornos obsessivos compulsivos (TOC) também têm se tornado frequentes na população, devido à necessidade da higienização constante das mãos, objetos e superfícies.

“O medo da contaminação causa em muitas pessoas a preocupação excessiva em passar álcool em gel nas mãos, limpar compras do mercado, chegando a afetar de maneira negativa a rotina. E isso é ainda mais impactante nos pacientes que passaram por internações e vivenciaram momentos de incerteza nos hospitais, longe dos familiares”, conta a psicóloga Rosane Melo Rodrigues. 

Perda de massa muscular

De acordo com dados do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS), a duração média da internação hospitalar pela Covid-19 é de 22 dias. Além do cansaço emocional, todo esse tempo em um leito de hospital também gera outro grande problema aos pacientes: a perda de massa muscular.

“Os internados apresentam diversas alterações de funcionalidade tanto da musculatura respiratória quanto da musculatura periférica, em membros superiores, inferiores e também têm sua capacidade cardiorrespiratória comprometida pelo alto tempo de internação", explica a fisioterapeuta Maria Leonor Gomes de Sá Vianna.

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