A inteligência artificial começa a ganhar espaço no cuidado de doenças crônicas na infância, como a asma, ao permitir a identificação precoce de riscos e a antecipação de crises respiratórias. A partir da análise de grandes volumes de dados clínicos, essas tecnologias prometem apoiar médicos na tomada de decisão e contribuir para um acompanhamento mais preventivo, reduzindo internações e impactos na qualidade de vida de crianças e famílias.
A asma está entre as doenças crônicas mais comuns no mundo e permanece como um importante desafio de saúde pública, especialmente na população infantil. Embora seja uma condição tratável, problemas no diagnóstico, no seguimento clínico e na adesão às terapias ainda favorecem a ocorrência de crises frequentes, internações evitáveis e prejuízos significativos ao bem-estar das crianças e de seus cuidadores.
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No podcast Biotech and Health, Camila Pepe e Carolina Abelin conversam com o pneumologista pediátrico Paulo Pitrez sobre um estudo que utiliza inteligência artificial e processamento de linguagem natural para identificar subtipos de asma infantil associados a maior risco de infecções respiratórias agudas. A pesquisa analisou prontuários eletrônicos de milhares de crianças, cruzando informações sobre sintomas, histórico clínico e fatores familiares para mapear perfis de maior vulnerabilidade.
Segundo Pitrez, a tecnologia não tem como objetivo substituir a avaliação médica, mas atuar como uma ferramenta complementar de apoio à decisão clínica. O foco é permitir a identificação precoce de crianças com maior chance de apresentar exacerbações futuras, hospitalizações e recorrentes idas a serviços de emergência, favorecendo uma abordagem mais preventiva do cuidado.
Durante o episódio, o especialista destaca que infecções respiratórias virais estão entre os principais gatilhos das crises asmáticas na infância. A capacidade de prever esse risco pode transformar o manejo da doença, deslocando o foco de uma resposta reativa para estratégias de prevenção e monitoramento contínuo.
A conversa também aborda os obstáculos para a implementação dessas tecnologias em larga escala, como a necessidade de prontuários bem estruturados, sistemas interoperáveis e validação dos algoritmos em diferentes contextos de saúde, incluindo a realidade brasileira. Outro ponto discutido é o uso de dispositivos digitais e sensores acoplados a inaladores, capazes de monitorar a adesão ao tratamento — um dos maiores desafios no controle da asma.
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Por fim, Pitrez ressalta que a inteligência artificial tende a ter um papel cada vez mais relevante na estratificação de risco e na análise de exames e imagens médicas. No entanto, seu impacto mais efetivo depende da integração com a prática clínica qualificada e de estratégias centradas no paciente, com potencial para reduzir crises, custos e perdas funcionais ao longo do tempo.
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