Em períodos marcados por celebrações intensas, como o Carnaval, o corpo humano é frequentemente submetido a excessos que silenciosamente cobram seu preço nos bastidores do organismo. Entre brindes, noites mal dormidas e rotinas alteradas, um dos órgãos mais exigidos é o fígado, peça central na manutenção da saúde e responsável por manter o equilíbrio interno mesmo diante de agressões repetidas.
Responsável por mais de 500 funções vitais, incluindo a desintoxicação do organismo e o processamento do álcool, o fígado pode dar sinais de alerta claros quando sua saúde está comprometida. Segundo a hepatologista Liz Marjorie, esses sinais não devem ser ignorados, sobretudo após períodos de maior consumo de bebidas alcoólicas, como o Carnaval, quando o risco de sobrecarga hepática aumenta consideravelmente.
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ATENÇÃO AOS SINAIS
Mestra em gastroenterologia pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a médica explica que muitas doenças hepáticas evoluem de forma silenciosa e só manifestam sintomas em estágios mais avançados. Entre os primeiros indícios perceptíveis estão o surgimento de manchas roxas pelo corpo, resultado de alterações na coagulação sanguínea, já que o fígado é responsável pela produção de substâncias essenciais nesse processo.
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Outro sinal clássico é a icterícia, caracterizada pelo amarelamento da pele e dos olhos. "Esse é um indicativo claro de comprometimento do fígado", afirma a especialista. Além disso, também podem surgir inchaço nas pernas e no abdômen, fadiga persistente, que não melhora mesmo com repouso, e, em situações mais graves, confusão mental, condição conhecida como encefalopatia hepática, que reflete a falha do órgão em eliminar toxinas do organismo.
CONSUMO DE ÁLCOOL
O fígado desempenha papel fundamental no metabolismo do álcool. Durante esse processo, são produzidas substâncias tóxicas, como o acetaldeído, que danificam as células hepáticas. Quando a exposição é frequente e prolongada, os danos tendem a se acumular e podem se tornar irreversíveis.
A hepatologista ressalta ainda a importância do acompanhamento médico regular, pois alterações hepáticas costumam ser detectadas inicialmente por exames laboratoriais, antes mesmo do aparecimento de sintomas. "O álcool, principalmente em grandes quantidades, tem potencial significativo de causar lesões no fígado. Por isso, a prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais", alerta.
Embora tenha notável capacidade de regeneração, o fígado depende de um fator essencial para se recuperar: o fim da agressão. Caso contrário, o órgão que trabalha incansavelmente para proteger o corpo pode, ele próprio, tornar-se uma das principais vítimas dos excessos.
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