Com a chegada das férias escolares e dos dias mais quentes do ano, aumenta também a procura por piscinas, praias, rios e igarapés. O que deveria ser sinônimo de diversão e descanso, porém, exige atenção redobrada dos pais e responsáveis.
Leia mais:
- Conheça os benefícios da natação e do Karatê infantil
- Colônia de Férias gratuita em Belém: veja os dias e como se inscrever
- Férias: conectar crianças à natureza é alternativa de lazer
Os afogamentos continuam entre as principais causas de acidentes graves envolvendo crianças, muitas vezes ocorrendo de forma rápida, silenciosa e em situações que parecem seguras.
Especialistas ouvidos pelo DOL reforçam que a prevenção é a principal ferramenta para evitar tragédias. A professora de natação infantil Letícia Moraes destaca que o contato precoce com a água pode fazer a diferença na segurança das crianças.

Segundo ela, as aulas de natação ajudam a desenvolver habilidades fundamentais para o chamado "autossalvamento", como flutuação, respiração e deslocamento na água. Além da parte técnica, as crianças também aprendem a reconhecer situações de risco em diferentes ambientes aquáticos.
"A natação proporciona noções de segurança e sobrevivência desde os primeiros anos de vida. A criança aprende habilidades que podem ser decisivas em uma situação de emergência", explica.
De acordo com as orientações pediátricas, as vivências aquáticas podem começar a partir dos seis meses de idade. Nessa fase, o objetivo é promover adaptação ao meio líquido e construir confiança. Com o crescimento, o aprendizado evolui para técnicas de nado, coordenação motora e resistência física.
Quer ler mais notícias de segurança? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!
Boias nem sempre são sinônimo de segurança
Um dos maiores equívocos cometidos pelos responsáveis é acreditar que as boias substituem a supervisão de um adulto.
Letícia alerta que modelos infláveis de braço ou boias circulares podem transmitir uma falsa sensação de segurança. Em alguns casos, podem até aumentar o risco de acidentes.
"As mais indicadas são os coletes salva-vidas e boias presas ao tronco, confeccionadas em espuma. Já as boias infláveis podem furar, escapar ou virar", orienta.


A bombeira civil e voluntária da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (Sobrasa), Cristiane Barbosa Jesus, reforça que nenhum equipamento é capaz de substituir a vigilância constante.
"Afogamento é rápido, silencioso e imprevisível. A supervisão ativa continua sendo a medida mais eficaz para salvar vidas", afirma.

A cor da roupa pode ajudar a salvar uma vida
Outro detalhe frequentemente ignorado pelas famílias está relacionado à escolha das roupas de banho.
Tanto Letícia quanto Cristiane recomendam o uso de cores vibrantes e fluorescentes, que facilitam a visualização da criança dentro da água, principalmente em locais com movimentação ou baixa visibilidade.
Tons como laranja neon, rosa choque, amarelo e verde-limão são os mais indicados. Em contrapartida, roupas azuis, pretas, verdes escuras e cinzas podem dificultar a localização da criança, especialmente em rios, igarapés e praias.

O afogamento quase nunca faz barulho
Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, uma criança em processo de afogamento dificilmente grita ou pede socorro. Cristiane explica que os sinais costumam ser discretos e podem passar despercebidos por quem está distraído.
Entre os principais indícios estão a permanência do corpo na posição vertical sem deslocamento, movimentos repetitivos dos braços sem conseguir sair do lugar, cabeça inclinada para trás, olhar fixo, boca aberta e tentativas silenciosas de respirar. "Se houver qualquer suspeita, a intervenção deve ser imediata", alerta.
Criança que sabe nadar também precisa de supervisão
Outro mito bastante comum é acreditar que saber nadar elimina os riscos.
As especialistas explicam que ambientes naturais apresentam desafios diferentes daqueles encontrados em aulas de natação ou piscinas monitoradas. Correntezas, profundidade variável, águas escuras, ondas e obstáculos submersos podem surpreender até crianças com experiência na água.
Por isso, a recomendação é que os responsáveis permaneçam sempre próximos. A regra mais segura é manter crianças pequenas a uma distância que permita alcançá-las com o braço.
Além disso, é importante identificar previamente saídas de emergência, áreas rasas e a presença de guarda-vidas.
Brincadeiras perigosas merecem atenção
Entre os comportamentos mais arriscados observados por especialistas está a disputa para ver quem consegue permanecer mais tempo submerso.
A brincadeira, aparentemente inofensiva, pode provocar perda de consciência e resultar em afogamentos silenciosos.
Também merecem atenção corridas em pisos molhados, empurrões próximos à borda da piscina e mergulhos em locais desconhecidos.
O que fazer em caso de afogamento?
Caso uma criança seja retirada da água após um episódio de afogamento ou quase afogamento, o primeiro passo é verificar se ela está consciente e respirando.
Se necessário, devem ser iniciadas manobras de reanimação enquanto o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) ou o Corpo de Bombeiros é acionado.
Mesmo quando a criança parece estar bem após o resgate, a orientação é procurar avaliação médica, já que complicações podem surgir horas depois.
Informação e vigilância salvam vidas
Embora equipamentos de segurança, aulas de natação e barreiras físicas sejam importantes aliados, as especialistas são unânimes em uma recomendação: nada substitui a presença atenta de um adulto.
Em períodos de férias e lazer, quando o contato com a água se torna mais frequente, a combinação entre supervisão constante, orientação adequada e prevenção continua sendo a melhor forma de garantir que a diversão termine apenas com boas lembranças.
Serviço
Em casos de afogamento em Belém, a orientação é acionar imediatamente o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193. A corporação possui equipes treinadas para atuar em ocorrências de resgate e salvamento aquático.
Se a vítima estiver inconsciente, apresentar dificuldades respiratórias ou sinais de parada cardiorrespiratória, também é fundamental chamar o SAMU pelo número 192 para atendimento médico de emergência.
Os dois serviços são gratuitos, funcionam 24 horas por dia e devem ser acionados assim que a situação de risco for identificada. Quanto mais rápido o atendimento especializado for solicitado, maiores são as chances de um desfecho positivo.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar