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IMPORTÂNCIA CULTURAL

Açaí no hospital ganha papel afetivo na recuperação e reforça identidade paraense

Açaí no hospital é oferecido em pequenas porções para pacientes autorizados, acompanhantes e pessoas que aguardam atendimento.

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Imagem ilustrativa da notícia Açaí no hospital ganha papel afetivo na recuperação e reforça identidade paraense camera Açaí no hospital é servido em pequenas porções para pessoas autorizadas a consumir a fruta, respeitando as condições clínicas e as orientações nutricionais. | Fotos: Divulgação

O açaí no hospital passou a ser oferecido em pequenas porções a pacientes liberados para consumir o alimento, acompanhantes e pessoas que aguardam atendimento em uma unidade localizada na travessa Antônio Baena, no bairro do Marco, em Belém. A distribuição segue as orientações da equipe de Nutrição e leva em consideração as condições clínicas de cada paciente. A iniciativa busca levar ao ambiente hospitalar um alimento tradicional do Pará, presente na rotina e na memória afetiva da população local.

O fruto é servido na forma de polpa, sem adição de açúcar ou outros ingredientes. A escolha considera tanto as características nutricionais do alimento quanto sua importância cultural no estado.

De acordo com a nutricionista Lana Tolksdorf, a ideia surgiu da percepção de que a alimentação também pode ter relação com aspectos afetivos durante uma internação.

“Pensamos em algo simples, mas que tivesse significado para as pessoas. O açaí faz parte da nossa identidade e da rotina do paraense. Trazer esse alimento para o hospital, dentro de todos os cuidados necessários, foi uma maneira de oferecer um momento de acolhimento e tornar a experiência de pacientes e acompanhantes um pouco mais leve”, explica.

Açaí no hospital ganha papel afetivo na recuperação e reforça identidade paraense
📷 |Fotos: Divulgação

Açaí é servido sem açúcar

A preparação oferecida aos pacientes não corresponde às versões comercializadas como sobremesa ou sorvete de açaí. Segundo a nutricionista, trata-se da polpa da fruta, sem açúcar ou outros aditivos.

“Não estamos servindo sorvete de açaí. Estamos oferecendo a fruta, na forma de polpa, como ela faz parte da nossa cultura alimentar. O açaí é um alimento natural, nutritivo e que carrega uma forte relação com a identidade do povo paraense”, afirma Lana.

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O consumo, entretanto, não é liberado para todos os pacientes. A equipe de Nutrição avalia individualmente quem pode receber o alimento. Pessoas com alergia ou intolerância, assim como aquelas que não estejam clinicamente aptas para consumi-lo, ficam de fora da distribuição.

“A alimentação dentro do hospital também faz parte do cuidado. Por isso, antes de oferecer o açaí, avaliamos se aquele paciente pode consumi-lo. A proposta é proporcionar essa experiência sem deixar de lado a segurança e as necessidades nutricionais de cada pessoa”, diz a nutricionista.

Açaí no hospital ganha papel afetivo na recuperação e reforça identidade paraense
📷 |Fotos: Divulgação

Fruta faz parte da identidade paraense

A presença do açaí no ambiente hospitalar também está relacionada ao significado que o alimento possui no Pará. Para muitos moradores do estado, o fruto integra a alimentação cotidiana e está associado a costumes familiares e regionais.

O gerente administrativo do hospital, Eduardo Monteiro, afirma que esse aspecto foi considerado na escolha do alimento.

“Poderíamos oferecer diferentes opções, mas queríamos algo que tivesse conexão com as pessoas daqui. Quando alguém recebe aquela pequena porção de açaí, existe também uma memória, uma familiaridade, uma sensação de estar próximo de algo que faz parte da sua vida. É um gesto pequeno, mas com bastante significado”, afirma.

A iniciativa ocorre em um contexto no qual a alimentação durante a hospitalização precisa conciliar as preferências e os hábitos dos pacientes com as restrições determinadas para cada quadro clínico.

Para Lana, a relação com a comida não se limita aos nutrientes. “Comer não envolve apenas nutrientes. Alimentação também é cultura, memória e afeto. Quando conseguimos respeitar as necessidades clínicas e, ao mesmo tempo, aproximar o cuidado da realidade das pessoas, contribuímos para uma experiência mais humanizada”, conclui.

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📷 |Fotos: Divulgação
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