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SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO

Por que brasileiros compartilham dados pessoais com a inteligência artificial?

Professor da UFPA alerta que a confiança nas plataformas de IA pode fazer usuários entregarem informações sensíveis sem saber exatamente como elas serão usadas.

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Imagem ilustrativa da notícia Por que brasileiros compartilham dados pessoais com a inteligência artificial? camera Professor da UFPA alerta que a confiança nas plataformas de IA pode levar usuários a compartilhar dados pessoais, financeiros e de saúde sem saber exatamente como essas informações serão armazenadas, utilizadas ou compartilhadas. | Reprodução/Magnific/DC Studio

O compartilhamento de dados pessoais com inteligência artificial tem se tornado cada vez mais comum entre os brasileiros, que recorrem às plataformas de IA para tarefas do cotidiano e acabam fornecendo informações financeiras, de saúde, fotos, sentimentos e preferências. Segundo o professor Roberto Samarone Araújo, da Universidade Federal do Pará (UFPA), a crescente familiaridade com a tecnologia pode contribuir para que os usuários deixem de avaliar os riscos envolvidos.

A preocupação ganha relevância diante de uma pesquisa do Cetic.br, que identificou uma queda, entre 2021 e 2025, na adoção de medidas de proteção da privacidade pelos brasileiros. Professor do Instituto de Ciências Exatas e Naturais (ICEN) e do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Computação (PPGCC), Samarone é doutor em Ciência da Computação pela Universidade Técnica de Darmstadt, na Alemanha, e pesquisa Segurança da Informação e Criptografia Aplicada.

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A FAMILIARIDADE AUMENTA A CONFIANÇA

Para o professor Roberto Samarone, a familiaridade com a inteligência artificial pode aumentar a confiança dos usuários nas plataformas e, com isso, levar ao compartilhamento de dados pessoais sem que eles avaliem como essas informações serão tratadas.
📷 Para o professor Roberto Samarone, a familiaridade com a inteligência artificial pode aumentar a confiança dos usuários nas plataformas e, com isso, levar ao compartilhamento de dados pessoais sem que eles avaliem como essas informações serão tratadas. |Reprodução/Arquivo pessoal

Para o professor, um dos motivos que explicam o comportamento é justamente a presença cada vez maior da inteligência artificial na rotina. "A inteligência artificial está cada vez mais presente em nosso cotidiano, facilitando a realização de diversas tarefas e sendo utilizada para um número crescente de finalidades", explica Samarone.

De acordo com ele, o uso frequente dessas ferramentas pode produzir uma sensação de segurança entre os usuários. Quanto mais uma pessoa utiliza determinado serviço e percebe sua praticidade, maior pode ser a confiança depositada na plataforma. "O uso cada vez mais frequente dessa tecnologia pode contribuir para aumentar a confiança dos usuários nesses serviços", afirma.

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Essa relação entre familiaridade e confiança, segundo o pesquisador, pode fazer com que o usuário deixe de pensar sobre o destino das informações que fornece. "Essa confiança, associada à diversidade de aplicações, pode levar alguns usuários a fornecerem informações pessoais sem considerar adequadamente como esses dados serão tratados", alerta.

O RISCO COMEÇA QUANDO O USUÁRIO PERDE O CONTROLE

Ao compartilhar informações com plataformas de inteligência artificial, o usuário pode perder o controle sobre o destino dos próprios dados.
📷 Ao compartilhar informações com plataformas de inteligência artificial, o usuário pode perder o controle sobre o destino dos próprios dados. |Reprodução/Magnific/DC Studio

O problema, explica Samarone, está relacionado à privacidade e à dificuldade de saber exatamente o que acontece com os dados depois que eles são inseridos em uma plataforma de inteligência artificial. "Isso representa um risco à privacidade, uma vez que as informações fornecidas podem ser armazenadas ou utilizadas para finalidades que nem sempre são conhecidas pelos usuários", afirma o professor.

Na prática, uma pessoa pode enviar uma fotografia, relatar uma situação de saúde, compartilhar informações financeiras ou conversar sobre aspectos íntimos da própria vida sem ter clareza sobre as condições de armazenamento e utilização daquele conteúdo.

POLÍTICAS DE PRIVACIDADE NÃO RESOLVEM TUDO

As plataformas costumam disponibilizar documentos que explicam como os dados são coletados e tratados. No entanto, para Samarone, existe uma diferença importante entre ter acesso a uma política de privacidade e conseguir verificar se aquilo que está descrito no documento é efetivamente cumprido.

"Embora muitos serviços disponham de políticas de privacidade que estabelecem como os dados dos usuários devem ser coletados, tratados e compartilhados, nem sempre é possível ao usuário verificar de forma independente se essas políticas estão sendo integralmente cumpridas", explica.

Isso significa que a leitura dos termos de um serviço é importante, mas não elimina completamente a dificuldade de o usuário acompanhar o percurso de suas informações depois do compartilhamento.

INFORMAÇÕES PODEM SER PROCESSADAS E COMPARTILHADAS

Outro ponto destacado pelo professor é que os dados fornecidos a uma plataforma não necessariamente permanecem restritos à finalidade imaginada inicialmente pelo usuário.

"Além disso, conforme as condições estabelecidas por cada serviço, esses dados podem ser processados para diferentes finalidades ou compartilhados com terceiros", afirma Samarone.

É justamente por isso que informações aparentemente banais podem exigir atenção quando combinadas com outros dados pessoais. Uma fotografia, uma preferência, uma conversa ou uma informação financeira pode ganhar novas possibilidades de utilização quando associada a outros registros.

COMO PROTEGER SEUS DADOS AO USAR IA:

  • Pense antes de compartilhar: evite fornecer informações pessoais sem avaliar se elas são realmente necessárias para obter a resposta desejada.
  • Tenha cuidado com dados sensíveis: informações financeiras, dados de saúde, fotos e detalhes da vida pessoal merecem atenção redobrada.
  • Leia a política de privacidade: procure entender como a plataforma informa que coleta, trata, armazena e compartilha os dados dos usuários.
  • Não confunda confiança com segurança: usar frequentemente uma ferramenta e considerá-la prática não significa que todos os riscos relacionados aos dados desapareceram.
  • Verifique as finalidades do serviço: observe se as informações podem ser processadas para outras finalidades além daquela que motivou o compartilhamento.
  • Fique atento a terceiros: confira se a política da plataforma prevê o compartilhamento de dados com outras empresas ou serviços.
  • Evite fornecer informações desnecessárias: quanto menos dados pessoais forem entregues, menor tende a ser a exposição da privacidade.
  • Questione o destino das informações: antes de enviar um conteúdo à IA, pergunte a si mesmo se você se sentiria confortável caso não soubesse exatamente como aquele dado será utilizado posteriormente.
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