A berlinense Ilan Stephani era uma estudante de filosofia quando, aos 19 anos, decidiu trabalhar como prostituta num bordel em Berlim. Em seu recém-publicado livro "Querida e cara – o que aprendi sobre a vida trabalhando num bordel", ela relata sua experiência de dois anos como prostituta.
Stephani explicou que foi a curiosidade – e não a necessidade financeira – que levou Stephani a trabalhar num bordel de Berlim. Ela queria experimentar a prostituição para entender o que há tempos divide opiniões pelo mundo, sobretudo de feministas, em relação à legalização dessa atividade como profissão.
"Comecei a trabalhar como prostituta por curiosidade, nunca pensei em escrever um livro. Queria experimentar os sentimentos com intensidade e aprender sobre as fronteiras na sexualidade entre homens e mulheres. Com a prostituição, eu me sentia importante como alguém que ouve, que compreende. Eu estava fascinada por esse tipo de contato, que me dava grande satisfação", diz a pesquisadora.
"MAIS LIVRES QUE ESPOSAS"
Ela reconhece que sua experiência é particular se comparada a outras "cenas", em que há sexo forçado ou escravidão sexual, e defende que os direitos humanos básicos precisam ser garantidos para que a prostituição seja uma "decisão".

Em entrevista, Stephani diz que a prostituição em sociedades patriarcais pode representar mais liberdade do que ser a "esposa" – historicamente entendida dentro da sexualidade monogâmica como a "posse" de um homem. Mas isso apenas se a prostituição for a escolha de uma mulher. Foto: Divulgação
"A prostituição forçada é muito pior do que podemos imaginar. É importante entender que, dentro do mundo da prostituição, existem muitas realidades, muitas contradições. Mas é também preciso discernir o sexo forçado do sexo por dinheiro. Com isso, usar palavras claras para dizer que prostituição também pode ser uma atividade laboral.", explica Ilan.
"Penso que, nas sociedades patriarcais, as prostitutas podem ser mais livres do que as esposas. "Se você me paga, você não me possui, mas me 'aluga' por um certo tempo, e depois posso ser livre de novo." As mulheres que ousaram dizer "a minha sexualidade não é posse de um homem" foram as primeiras prostitutas da história da humanidade. Aprendi como prostituta que posso ser livre para fazer o que amo, e amei fazer isso. Mas, para ser honesta, percebi ser a pessoa mais livre do mundo quando deixei a prostituição (risos)", opina.
PROSTITUIÇÃO NA ALEMANHA
Em 2002, a Alemanha reconheceu a prostituição como atividade profissional por meio da LProst (Lei da Prostituição). O sexo pago é permitido, mas com cobrança de impostos e regulamentações. Estima-se que entre 300 mil e 400 mil pessoas sejam trabalhadores do sexo no país. Entretanto, cerca de 70% delas vêm de países do Leste Europeu, como Bulgária, Romênia e Polônia -, segundo apontou relatório da Fundação alemã Heinrich Böll.
(Com informações da Deutsche Welle)
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