Economizar para garantir um dinheiro extra no fim do mês pode até ser últil, mas muitas vezes o "barato pode sair caro". Por isso, é preciso ficar atento a escolhas que não trazem riscos para a saúde.
Uma nova "trend" das redes sociais ensinam a deixar a válvula do botijão de gás “meio aberta” para prolongar a duração do produto voltaram a viralizar e têm chamado a atenção de milhares de usuários em busca de economia doméstica. Nos conteúdos, criadores afirmam que a prática reduziria o consumo e permitiria utilizar o mesmo botijão por mais de seis meses. Porém, alguns especialistas contestam a eficácia do método e alertam para os riscos envolvidos.
Ao portal TechTudo, o chefe da Divisão de Investigação contra Incêndio do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina (CBMSC), major Tadeu Luiz Alonso Pelozzi alertou quem faz este tipo de "manobra" em casa. Segundo ele, a técnica não apenas é ineficaz, como pode comprometer a segurança do ambiente.
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O que dizem os vídeos
Nos conteúdos que circulam online, influenciadores mostram o registro do botijão parcialmente aberto, sob a justificativa de que isso controlaria a quantidade de gás liberada para o fogão. A promessa é de maior durabilidade do botijão, especialmente para famílias que buscam reduzir custos.
Apesar da popularidade, o argumento não condiz com o funcionamento real do sistema de gás, de acordo com especialistas.
@almanaquesos Evite regular a saída do gás pelo botijão #alerta #economia ♬ som original - Almanaque SOS
Como funciona o botijão de gás
O botijão residencial contém GLP (Gás Liquefeito de Petróleo), composto principalmente por propano e butano, armazenado sob pressão. No Brasil, o modelo mais comum é o de 13 quilos.
Ao abrir a válvula, o gás passa por um regulador de pressão, responsável por garantir o fluxo adequado até o fogão. Esse regulador mantém a pressão constante, independentemente da posição parcial da válvula, e o consumo varia conforme a intensidade da chama utilizada no preparo dos alimentos.
“Meia abertura” não reduz consumo
De acordo com o major Pelozzi, deixar a válvula parcialmente aberta não diminui o consumo de gás. Isso porque o regulador continua liberando a quantidade necessária para manter a chama ativa.
Na prática, a tentativa de restringir o fluxo pode causar instabilidade na chama e até aumentar o tempo de cozimento, elevando o consumo total. O sistema, segundo o especialista, foi projetado para funcionar com o registro totalmente aberto ou fechado.
Riscos de acidentes
Além de não gerar economia, a prática pode aumentar significativamente o risco de acidentes. Alterações improvisadas no sistema de gás favorecem vazamentos, que podem levar à intoxicação, incêndios ou até explosões, especialmente em ambientes fechados.
O major destaca que ocorrências envolvendo cozinhas frequentemente estão associadas a falhas no sistema de GLP ou uso inadequado dos equipamentos. Problemas como vedação irregular, desgaste do mecanismo e instabilidade da chama estão entre os principais perigos.
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Formas seguras de economizar gás
Embora o “truque” viral não funcione, especialistas indicam medidas simples e eficazes para reduzir o consumo de gás no dia a dia:
- Utilizar panelas com tampa para acelerar o cozimento;
- Escolher o queimador adequado ao tamanho da panela;
- Ajustar a chama para que não ultrapasse a base do recipiente;
- Manter o fogão limpo, garantindo melhor eficiência;
- Planejar o preparo das refeições para evitar uso repetido do fogão.
Recomendações e normas técnicas
O Corpo de Bombeiros reforça que práticas divulgadas sem respaldo técnico devem ser evitadas. A manipulação indevida de válvulas, mangueiras e reguladores contraria normas brasileiras de segurança, como as da ABNT, e pode colocar moradores em risco.
O que fazer em caso de vazamento
Em situações de cheiro forte de gás, a orientação é fechar imediatamente o registro, se for seguro fazê-lo, e ventilar o ambiente abrindo portas e janelas. Também é essencial evitar qualquer fonte de ignição, como acender fósforos ou acionar interruptores elétricos.
Se o odor persistir ou houver risco elevado, a recomendação é deixar o local e acionar o Corpo de Bombeiros pelo telefone 193.
Entre outras as medidas preventivas estão manter o botijão em local ventilado, utilizar equipamentos certificados, realizar inspeções periódicas e evitar qualquer tipo de improvisação.
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