Nas últimas semanas, a história da indiana Ramabai Ranveer, de 47 anos, ganhou repercussão dentro e fora da Índia. Sem experiência em competições e sem sequer ter um tênis adequado, ela participou descalça de uma prova de corrida de três quilômetros em agosto deste ano, com o único objetivo de conseguir dinheiro para ajudar nas despesas do estudo das filhas.
A competição foi descoberta por Ramabai por meio de Pooja, filha mais velha de Ramabai, de 22 anos. Em entrevista à BBC, ela contou que a jovem explicou que a premiação poderia ajudar nos estudos.
Conteúdos relacionados:
- VÍDEO: cachorro viraliza ao brincar com ladrão durante invasão de casa
- Motoboy é picado 40 vezes ao resgatar criança de enxame de abelhas
- Paraense viraliza com ensaio de formatura emocionante na Feira de Marituba
Como a filha mais nova mora em outra cidade e precisava de dinheiro para comprar livros, a mãe decidiu participar e estabeleceu como meta conquistar o primeiro lugar sem pensar duas vezes.
Na entrevista, Ramabai contou que, durante a corrida, os tênis dela começaram a escorregar, o que a fez retirar os calçados e continuar a prova descalça. Contudo, a estratégia não a impediu de superar as demais competidoras e vencer a prova. Com isso, ela recebeu cerca de R$ 160, valor que afirmou ficar muito feliz em poder destinar à compra de livros e materiais escolares.
Pooja também participou da competição e terminou em segundo lugar na categoria dela, recebendo aproximadamente R$ 102. Também em entrevista à BBC, a jovem descreveu a mãe como corajosa.
A história rapidamente chegou às redes sociais e aos principais jornais indianos, onde passou a ser interpretada tanto como símbolo do sacrifício dos pais quanto como reflexo das dificuldades enfrentadas por famílias que buscam melhorar a condição social por meio da educação.
Com isso, a vitória de Ramabai chamou a atenção das autoridades indianas e, no início de setembro, o presidente da Suprema Corte, Surya Kant, determinou que ela recebesse uma ajuda financeira de R$ 2,5 mil.
Ainda na entrevista à BBC, Ramabai contou que largou os estudos aos 13 anos e após a morte do marido, em 2012, passou a sustentar a família com trabalhos como colheita, cozinha e venda de produtos.
Quer receber notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!
Onda de insatisfação com o sistema educacional se espalha pela Índia
O caso ganhou ainda mais repercussão em um momento de forte insatisfação com o sistema educacional da Índia. Um relatório governamental divulgado em agosto deste ano apontou que apenas 8% dos graduados conseguem empregos nos quais utilizam os conhecimentos adquiridos na universidade. Entre eles, a taxa de desemprego chega a 29,1%, nove vezes superior à registrada entre pessoas que nunca frequentaram uma universidade.
Além disso, várias mobilizações estudantis recentes já marcam a história do país. Em julho deste ano, protestos liderados pela Geração Z culminaram na renúncia do ministro da Educação, enquanto as reivindicações passaram a incluir melhorias na infraestrutura das escolas públicas e redução das desigualdades rurais.
As dificuldades também aparecem no acesso ao ensino superior e aos empregos públicos. Em maio, o principal exame de admissão para cursos de medicina do país foi cancelado após um vazamento, obrigando quase dois milhões de estudantes a refazerem a prova.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar