Após fazer sucesso no meio audiovisual, o curta metragem paraense "Encantada do Brega" vai ganhar os palcos de teatro.
A história, que tem Stéphany (interpretada pela vlogueira Samara Castro), como a personagem principal, apresenta o sonho da jovem em ir à festa de aparelhagem em que DJ Dayveson, seu favorito, toca. O enredo é um claro pastiche, criativo e contemporâneo, do conto da Cinderela e terá agora o desafio de encantar o público também através de um musical.
"O roteiro carrega toda a essência do curta, mas promete surpreender até quem já sabe todas as falas. Tem cenas e personagens novos que complementam e enriquecem a história expandindo o universo do Encantada", explica Jefferson Oliveira, roteirista do filme. Ainda de acordo com ele, "o espetáculo traz cenas e situações novas que ajudam a contar a história, músicas em versões estendidas, além de canções inéditas".
Quem voltará aos palcos com a peça será Betty Dopazo, que já atuou no curta metragem interpretando a madrasta da "gata borralheira" bregueira. Foto: Divulgação
A ideia da mudança foi do próprio Jefferson e Ysamy Charchar, um dos produtores do curta. Foi Jefferson que escreveu a adaptação, que já está sendo ensaiada. A direção ficará por conta de Tiago de Pinho, que já trabalhou como ator em musicais como "Ópera profano", "Acorde Margarida" e "O assassinato de Machado de Assis", além de dirigir o Musical "Enrolados", entre outros.
Unindo várias gerações de diversas produções, no elenco já estão confirmados Samara Castro, Isis Vieira, Paulo Colucci (a "aleijada hipócrita"), Betty Dopazo, Kevin Albuquerque e Will Love, da banda Gang do Eletro, na produção musical.
Para Samara Castro, o desafio será grande. "É totalmente diferente do que eu já fiz, mas estou bem confiante e ansiosa. Tenho certeza que vai ser mais um sucesso pra nossa cultura paraense, porque com isso queremos atrair o público para o teatro", diz entusiasmada.
Espetáculo intermidiático
"Encantada do Brega, o musical" deve ser mais que uma nova versão do curta, uma espécie de espetáculo intermidiático. Isto porque deve contar com "interação tecnológica do cenário com a plateia, a presença de um corpo de baile, novas canções, novos personagens, novos figurinos, interação tecnológica entre atores, cenário, música, bailarinos", adianta Tiago de Pinho.
Para ele, "a grande preocupação por se tratar de um musical é realizar as três linguagens (isto é, dança, teatro e música) com maestria. Os atores receberão uma preparação vocal para executarem a parte cantada, assim como preparação coreográfica e pela parte teatral também".
Ainda não assistiu a Encatada? Confira:
A preocupação de Pinho não é aleatória, já que a maioria do elenco trabalha com audiovisual e possui pouca ou nenhuma experiência com teatro. "Transpor esses profissionais para a dinâmica do teatro é um grande desafio, mas que tenho certeza que teremos um grande resultado", afirma confiante.
Para a produção da peça, haverá ainda uma pré-seleção de alguns participantes que representarão o DJ Dayveson e outra personagem inédita. Os interessados podem acessar a ficha de inscrição clicando aqui. Para participar da seleção, basta ter idade entre 18 e 35 anos; facilidade com dança (principalmente tecnobrega); capacidade de improvisação e facilidade para trabalhar com comédia. As inscrições seguem até 22h do dia 20 de maio.
Teatro e Música
Em 2012, a Cia. Experimental de Dança Waldete Brito estreou o espetáculo “Festa na Cidade”, inspirada no livro “Festa na cidade: o circuito bregueiro de Belém do Pará”, tese de doutorado em Antropologia do professor Maurício Costa, e também no CD “Amor, Amor”, de Lia Sophia.
A peça tinha como objetivo desconstruir o brega em movimentos contemporâneos, iniciando a trajetória deste diálogo em Belém, que agora volta a ser retomada em Encantada.
Em "Festa na cidade", os bailarinos participaram de aulas de dança de salão e ainda fizeram pesquisa de campo em bares e casas de show de Belém. Foto: Divulgação
Para o jornalista e ator Leandro Oliveira, o musical da Encantada pode ser importante para a cena teatral. "No teatro por aqui, quanto mais movimentação, melhor; então qualquer iniciativa no sentido de fomentar a cena teatral é válida", destaca. O mesmo pensa Tiago de Pinho, para quem "o gênero musical já conta com uma extensa produção em outros polos do Brasil, e em Belém engatinha".
Segundo ele, "a Encantada oportuniza as plateias da cidade, uma produção que não fica devendo nada a nenhuma produção nacional. Sem dúvidas que o sucesso do curta na internet chamará os fãs da internet para o teatro", finaliza.
(Enderson Oliveira/DOL)
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