Por uma enorme coincidência, o espetáculo com o qual o grupo ganhou a premiação da Funarte – aquela que está com o recurso suspenso – foi escrito e pensado para a rua. Zê conta que há algum tempo vinha pensando nessa vontade de mostrar o trabalho do grupo em espaço aberto. “Pensei que a gente devia fazer teatro sem esperar que o público pague para nos ver, que quem estiver interessado venha olhar. Uma coincidência agora: a gente está mesmo na rua”, brinca.
O espetáculo é chamado “Auto do Coração”, no qual o grupo fala das várias formas de amar. “É uma maneira de a gente dar um suspiro. Depois da rua, a gente vê o que vai fazer”, projeta.
E se para começar o grupo queria logo agradecer, na despedida a memória traz a cena do primeiro espetáculo do grupo em seu próprio teatro. “Laquê” foi apoteótico. Metade do elenco trazia alunos de teatro da universidade.
A outra metade era de prostitutas de seu entorno. Na última cena, a personagem principal, uma prostituta, coloca fogo em seu corpo. O namorado se casou com uma moça de família. O público então é convidado a acompanhar um cortejo que leva seu corpo em chamas para a rua enquanto ela canta: “Acabou nosso carnaval... Saudades e cinzas foi o que restou”. “Então é isso”, dizem Zê e Edyr, juntos.
(Diário do Pará)
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