Caso o futebol fosse uma ciência mais ou menos exata, bastaria ao Remo repetir o que foi feito no jogo contra o Palmas no estádio Jornalista Edgar Proença, quando precisava vencer por dois gols de diferença e conseguiu marcar três logo no primeiro tempo. Felizmente, para o encanto das multidões, o futebol não é tão previsível assim e cada jogo tem uma história completamente diferente.
Para começo de história, o Botafogo de Ribeirão Preto é um time muito mais forte e qualificado que o representante tocantinense. Já acumula êxitos nas fases anteriores da Série D defendendo como visitante a vantagem estabelecida dentro de casa. É, portanto, acostumado a administrar esse tipo de situação.
O trunfo azulino depende em boa medida da combinação normalmente poderosa entre a vibração e entusiasmo do time com o incentivo do torcedor nas arquibancadas. Essa força conjunta tem funcionado em todas as partidas realizadas pelo Remo em Belém, resultando em vitórias categóricas sobre Vilhena, Palmas e Operário, nas quais o ataque azulino marcou coincidentemente sempre três gols - escore que garante a classificação à final do campeonato.
É claro que tudo depende do bom funcionamento do time. Cacaio mostrou ao longo da temporada que evoluiu como técnico, deixando de ser apenas um motivador e passando a adotar estratégias adequadas a cada novo oponente. Tem tido mais triunfos do que perdas. Acertou em cheio no esquema pragmático utilizado fora de casa contra o Operário, mas não foi tão bem-sucedido jogando diante do Botafogo, em Ribeirão Preto, quando deixou escapar o empate a poucos minutos do final.
Em casa, porém, seu time se transfigura. Ataca com a cara e a coragem. O desenho conservador, com três zagueiros, dois alas marcadores e dois volantes muda radicalmente. Continuam os três beques, mas os alas passam a funcionar como apoiadores, colaborando com o trabalho do meia-armador (Eduardo Ramos) e acionando os atacantes.
Os treinos da semana mostraram que Cacaio resolveu dar ao ataque a dose certa de força e facilidade no jogo aéreo, recolocando o centroavante Kiros na equipe. A dúvida permanece quanto ao atacante de lado - Welton ou Léo Paraíba. O técnico prefere o primeiro, talvez até por se identificar com o seu estilo. Não se pode esquecer que Cacaio foi um goleador que se caracterizava pela força e o oportunismo na área.
No fim das contas, o que importa mesmo é a postura do Remo no jogo. Em situação normal, mantendo a volúpia ofensiva e explorando a qualidade de seus homens de frente, sem se afobar, tem plenas condições de reverter a desvantagem e avançar à final da Série D.
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