O filme “12 Anos de Escravidão”, de Steve McQueen, levou o o principal prêmio na 86ª edição do Oscar, que foi realizada domingo, em Los Angeles. Foi o primeiro filme dirigido por um negro a ganhar o prêmio. “Dedico este prêmio a todos os que sofreram com a escravidão e que sofrem ainda hoje”, disse McQueen. A produção também levou as estatuetas de atriz coadjuvante, para a queniana nascida no México Lupita Nyong’o, e de roteiro adaptado.
Maior premiado da noite, o blockbuster espacial “Gravidade” levou sete estatuetas, incluindo a de melhor diretor, para Alfonso Cuarón, além de efeitos visuais, montagem, fotografia, edição de som, mixagem de som. Primeiro latino-americano a ganhar o prêmio, o mexicano Cuarón desbancou Martin Scorsese, Steve McQueen, David O. Russell e Alexander Payne.
Como melhor atriz, venceu Cate Blanchett, por “Blue Jasmine”. No discurso, ela repetiu o que havia dito ao receber o prêmio Independent Spirit: “Fico feliz por saber que ainda existem pessoas que se interessam por fazer filmes com mulheres”, afirmou a australiana, que também agradeceu ao diretor Woody Allen.
Favorito em sua categoria, Matthew McConaughey ganhou como melhor ator por “Clube de Compras Dallas”. O intérprete emagreceu 17 quilos para viver um texano que contrai o vírus da Aids. O filme também rendeu prêmio de ator coadjuvante a Jared Leto. Já Lupita Nyong’o, faturou o prêmio de coadjuvante por “12 Anos..”. “Foi a alegria da minha vida”, disse a queniana nascida no México. Em seu discurso, Leto contou brevemente a história de sua mãe, presente na plateia, e falou sobre as vítimas da Aids e sobre os recentes acontecimentos na Ucrânia e na Venezuela. “Estamos pensando em vocês nesta noite”.
Na categoria de melhor roteiro adaptado, venceu “12 Anos...”. Como melhor roteiro original, “Ela”. O longa italiano “A Grande Beleza”, de Paolo Sorrentino, foi escolhido como melhor filme estrangeiro.
O blockbuster espacial “Gravidade”, de Alfonso Cuarón (melhor diretor), havia levado outras seis estatuetas: efeitos especiais, mixagem de som, edição de som, montagem, fotografia e trilha sonora. A recriação dos anos 1920 de “O Grande Gatsby”, de Baz Luhrmann, rendeu ao filme as estatuetas de melhor figurino e melhor direção de arte.
O troféu de melhor animação confirmou o favoritismo de “Frozen: Uma Aventura Congelante”, da Disney, a primeira vez que o estúdio ganhou o prêmio. O filme também ganhou por canção.
O vencedor como melhor documentário foi “A Um Passo do Estrelato”, sobre cantoras de apoio, desbancando produções mais políticas como “Guerras Sujas”, “The Square” e “O Ato de Matar”. “Helium”, de Anders Walter, ganhou como melhor curta. Na categoria de melhor documentário em curta-metragem, o premiado foi “The Lady in Number 6”.
As apresentações musicais da noite contaram com Pharrell Williams, U2, e Karen O, dos Yeah Yeah Yeahs. A sessão “in memoriam” não citou o francês Alain Resnais, morto na véspera, mas lembrou o documentarista brasileiro Eduardo Coutinho, assassinado no mês passado.
NOITE DE POSES
A noite teve a comediante Ellen DeGeneres como principal apresentadora. A edição foi marcada pelas “selfies”. Vários atores e diretores dedicavam alguns segundos para tirar um autorretrato no tapete vermelho. O cineasta chinês Wong Kar Wai (“Grande Mestre”) tentou vários ângulos até acertar o seu.
The Edge, guitarrista do U2, posou com a mulher em frente a uma estátua do Oscar. Jared Leto entrou na brincadeira: na entrevista, convidou a imprensa a pegar seu Oscar e “tirar selfies” com ele. A organização não gostou, porque é proibido tirar fotos ou filmar na sala de entrevistas. “Deixe a imprensa ser imprensa. Viva a revolução!”, clamou Leto, bastante aplaudido.
(Diário do Pará)
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