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CASO INDIGENISTA E JORNALISTA

Material "aparentemente humano" encontrado será analisado

Desaparecidos desde a manhã de domingo (5), os dois faziam uma viagem pelo Vale do Javari, segunda maior terra indígena do país.

sexta-feira, 10/06/2022, 20:31 - Atualizado em 10/06/2022, 20:28 - Autor: João Gabriel/FolhaPress

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O jornalista Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira, vistos pela última vez na manhã de domingo (5).
O jornalista Dom Phillips e o indigenista Bruno Pereira, vistos pela última vez na manhã de domingo (5). | Reprodução

O desaparecimento do jornalista Dom Phillips, 57, e do indigenista Bruno Pereira, 41, vistos pela última vez na manhã de domingo (5), na terra indígena Vale do Javari, no Amazonas, mobilizou a sociedade civil e ganhou repercussão internacional.

As autoridades à frente das investigações ouviram seis pessoas e apuram a possível relação com o caso de um pescador preso na terça-feira (7) por porte de munição ilegal. As Forças Armadas, as forças de segurança do Amazonas e a Polícia Federal seguem as buscas pelos desaparecidos.

A Polícia Federal divulgou nesta sexta-feira (10) que encontrou o que pode ser vestígios de material genético humano na região do rio Itaquaí, último lugar onde o indigenista Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips, desaparecidos desde domingo (5), foram avistados.

Os investigadores encontraram material "aparentemente humano" nas proximidades do porto de Atalaia do Norte. A amostra será encaminhada "para análise pericial", assim como os vestígios de sangue encontrados na embarcação de um homem que foi preso nesta semana.

A PF diz ainda que coletou amostras de DNA de Pereira e Phillips, respectivamente em Salvador e Recife, para comparação com o sangue encontrado na lancha do pescador.

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"As equipes de busca localizaram no rio, próximo ao porto de Atalaia do Norte, material orgânico aparentemente humano, o qual está sendo encaminhado para análise pericial pelo Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal, que também realizará perícia nas amostras de sangue encontradas na embarcação de Amarildo da Costa de Oliveira, 41 anos, conhecido como "Pelado", cuja prisão temporária já foi decretada na data de ontem", diz a nota da Polícia Federal.

"Ainda na data de hoje, houve a coleta de materiais genéticos de referência do jornalista britânico Dom Phillips na cidade de Salvador (BA) e do indigenista Bruno Pereira na cidade de Recife (PE). Os materiais coletados serão utilizados na análise comparativa com o sangue encontrado na embarcação", completa o texto da corporação.

Desaparecidos desde a manhã de domingo (5), os dois faziam uma viagem pelo Vale do Javari, segunda maior terra indígena do país, com 8,5 milhões de hectares, no extremo oeste do Amazonas.

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Após visita a uma base da Funai no Lago do Jaburu, eles pararam na comunidade São Rafael para uma reunião com um pescador conhecido como "Churrasco" -conversaram com a esposa dele, já que ele não se encontrava no local.

Em seguida, continuaram a viagem pelo rio Itacoaí em direção ao município Atalaia do Norte, mas, no meio do caminho, desapareceram. Segundo a Univaja, este trajeto dura aproximadamente duas horas. Assim, eles deveriam ter chegado na cidade entre as 8h e as 9h.

Os dois foram avistados por moradores da comunidade de São Gabriel, situada mais adiante no trajeto pelo rio, mas já em uma terceira localidade, conhecida como Cachoeirinha, os relatos obtidos por equipes de busca dão conta de que os moradores não os viram.

A terra indígena tem sido frequentemente invadida por garimpeiros, madeireiros, caçadores e pescadores.

Em entrevista à BBC, o ex-servidor da Funai Antenor Vaz, que já foi o chefe do órgão no Vale do Javari, afirmou que a ação de narcotraficantes também tem crescido no território, que fica na fronteira com o Peru e a Colômbia. "O tráfico de cocaína, especialmente vinda do lado peruano, é muito grande", disse ele.

A região é marcada pela presença do maior número de indígenas em isolamento voluntário do mundo e pela rota de escoamento de tráfico de cocaína do Peru que é distribuída para Brasil, Europa e África.

A violência no território é um problema antigo, mas vem se intensificando desde 2019. Naquele ano, o colaborador da Funai Maxciel Pereira dos Santos, da Frente de Proteção Etnoambiental do Vale do Javari, foi assassinado a tiros em sua residência na cidade de Tabatinga (AM).

Entidades de defesa dos povos indígenas também denunciaram oito episódios de violência armada nos últimos anos contra a Base de Proteção Ituí-Itacoaí, próxima ao local do desaparecimento de Phillips e Pereira.

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