Estudantes do curso de Medicina da UniCesumar, instituição particular de ensino superior localizada em Maringá, no norte do Paraná, foram expulsos após a divulgação de mensagens ofensivas direcionadas a colegas beneficiários de programas de bolsas de estudo. A universidade confirmou a aplicação de desligamentos, suspensões e advertências depois de concluir uma investigação interna sobre o caso.
O episódio ganhou repercussão após conversas compartilhadas em um grupo de WhatsApp de acadêmicos começarem a circular nas redes sociais. As mensagens foram publicadas no último domingo (25), depois do resultado das eleições presidenciais, e tinham como alvo alunos que ingressaram no curso por meio do Programa Universidade para Todos (Prouni) e do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies).
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Nos diálogos, alguns participantes fizeram comentários depreciativos sobre a situação econômica dos colegas e questionaram a forma de ingresso desses estudantes na universidade. As manifestações também incluíam conteúdos associados à ideologia nazista, ampliando a gravidade das denúncias.
Em uma das mensagens divulgadas, um estudante estabeleceu uma comparação entre quem consegue pagar mensalidades elevadas e aqueles que conquistaram uma vaga por meio de programas de acesso ao ensino superior. O conteúdo provocou indignação entre acadêmicos e levou à exposição pública das conversas.
Universidade concluiu investigação e aplicou punições
A UniCesumar informou que encerrou a sindicância interna, na última sexta-feira (30). Após analisar os registros e as condutas atribuídas aos envolvidos, a comissão responsável recomendou medidas disciplinares, que foram aprovadas pela reitoria.
As penalidades incluem o desligamento de estudantes do quadro acadêmico, suspensões e advertências. A instituição, porém, não revelou quantas pessoas receberam cada tipo de punição nem divulgou a identidade dos envolvidos.
Em posicionamento oficial, a universidade afirmou que não tolera manifestações discriminatórias e reiterou o compromisso com a ética, o respeito à vida e a responsabilidade na formação dos futuros profissionais. A instituição também informou que o Núcleo de Apoio ao Estudante de Medicina permanece disponível para oferecer acolhimento e orientação aos acadêmicos afetados.
Ministério Público Federal recebeu denúncia
Além das medidas adotadas pela universidade, o episódio chegou ao Ministério Público Federal no Paraná. O órgão confirmou o recebimento de uma denúncia relacionada às mensagens e informou que o caso está em análise.
O Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) também manifestou repúdio às condutas atribuídas aos estudantes. Para o conselho, manifestações discriminatórias contrariam os princípios éticos que devem orientar a formação médica, especialmente o compromisso de prestar atendimento sem distinção ou preconceito.
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Entidades representativas dos estudantes de Medicina também se posicionaram contra os ataques. Organizações acadêmicas ligadas à UniCesumar anunciaram o afastamento dos envolvidos de seus quadros.
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